Demissão está nos planos de 55% dos CFOs, diz PwC

Demissão está nos planos de 55% dos CFOs, diz PwC

Publicado em 21 de maio de 2020

Diretor brasileiro está mais pessimista que seus pares no exterior, o que pode ser explicado pelo estágio da pandemia no país.

Para diminuir os custos diante da crise, 55% dos diretores financeiros de empresas brasileiras já se preparam para fazer corte de funcionários no próximo mês, segundo a pesquisa “CFO Pulse”, realizada pela consultoria e auditoria PwC com executivos de todo o mundo e obtida com exclusividade pelo Valor.

Enquanto nos outros países cerca de 29% dos executivos financeiros planejam demissões, no Brasil a decisão por cortes de pessoal saltou de 47% em abril para 55% em maio, de acordo com a quinta rodada da pesquisa, que ouviu 871 líderes financeiros em 24 países, dos quais 41 no Brasil. Mudanças no quadro de funcionários estão previstas por 64% dos diretores brasileiros, começando por férias e afastamentos temporários.

Para Lindomar Schmoller, sócio da PwC Brasil, a diferença do país para a média global se dá, em parte, pela evolução geográfica da doença, que se iniciou na Ásia, foi para a Europa e depois chegou ao continente americano. “Os executivos desses países já pensam os próximos meses como de recuperação, de retomada ao normal, ao passo que no Brasil as grandes empresas ainda estão anunciando demissões expressivas, já que o cenário aqui ainda é incerto”, disse.

Entre os diretores financeiros brasileiros, 45% (42% em todo o mundo) consideram que sua organização poderia voltar aos negócios normalmente em três meses se a crise terminasse hoje. Na pesquisa realizada em abril, esse número era de 50%. Segundo Schmoller, a tendência desse número é cair no decorrer do tempo: 56% diziam que poderiam retomar a normalidade em três meses na terceira rodada da pesquisa. Esse número caiu para 50% na quarta rodada e para 45% na última. “A tendência é de piora à medida que a crise se alonga. O pessimismo acompanha a evolução da crise.”

O trabalho remoto também é uma preocupação dos executivos brasileiros. Para 45% dos entrevistados no país, a queda na produtividade dos funcionários em home office é vista como um problema. Esse número era de 57% na rodada anterior e de 33% no restante do mundo. Segundo as respostas, os desafios nessa área incluem questões técnicas como acesso à internet de banda larga, bem como preocupações pessoais e problemas familiares.

“O trabalho remoto veio para ficar, principalmente no setor de serviços, que está fazendo mais investimento para possibilitar esse tipo de trabalho, que será aproveitado no cenário pós-covid. Além disso, o decorrer do tempo vai permitir a melhor avaliação da produtividade dos funcionários e a preocupação com isso tende a diminuir”, disse.

Em países como Dinamarca (72%), Alemanha (67%) e México (69%) os executivos consideram tornar o trabalho remoto uma opção permanente. Já 48% dos diretores buscam acelerar a automação e outras novas maneiras de trabalhar – entre os alemães isso aumenta para 76%.

Outro ponto da pesquisa mostra que 64% dos executivos brasileiros pretendem adiar ou cancelar investimentos, provavelmente de bens imobilizados. Apenas 18%, no entanto, consideram mudar sua estratégia de fusões e aquisições e 14% no Brasil e 16% no mundo planejam adiar temer uma recessão global, impacto financeiro nas operações e queda na confiança do consumidor e no consumo.

 

Fonte: Valor Econômico
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