Denúncias de assédio sexual no trabalho mais do que triplicam em cinco anos, aponta pesquisa

Denúncias de assédio sexual no trabalho mais do que triplicam em cinco anos, aponta pesquisa

Publicado em 20 de fevereiro de 2025

Estudo é baseado em dois milhões de relatos recebidos por mais de mil empresas em 15 países, incluindo o Brasil.

O número de denúncias de assédio sexual nas empresas aumentou 387,6% no período que inclui os anos de 2020 a 2024. Já o crescimento das queixas gerais, excluindo anotações de cunho sexual, foi bem menor, de 118,6%. Nessa categoria, entram declarações ligadas a temas como assédio moral, discriminação, fraude financeira ou desrespeito às normas internas das companhias.

Os dados são da 10ª edição da Pesquisa Nacional de Canais de Denúncias, realizada pela Aliant, especializada em soluções de governança, compliance e ESG. A análise é baseada em cerca de dois milhões de notificações recebidas nos últimos dez anos, em canais de denúncias de mais de mil companhias de todos os portes, em 15 países, incluindo o Brasil. Estados Unidos, Portugal e Itália também estão na lista.

“A maioria ou 81,3% dos denunciantes de assédio sexual são mulheres, enquanto nas denúncias gerais a divisão é mais equilibrada, com 53,2% de funcionárias”, explica Fernando Fleider, CEO da ICTS, controladora da Aliant. Outro fator importante revelado no estudo é a incidência do anonimato nas acusações, continua.

“Partíamos do pressuposto de que esse índice seria maior nas denúncias de assédio sexual, dada a gravidade dos casos”, analisa. “No entanto, os dados de 2024 mostram que isso não ocorreu. Nas notificações de cunho sexual, o anonimato aparece em 65,1% dos relatos, um número semelhante ao da média geral, de 63,7%.” A pesquisa do ano passado é baseada em 235,6 mil delações.

No topo da pirâmide

O trabalho revela que líderes e gestores formam o grupo mais denunciado nas organizações. Em 2024, 59,8% dos acusados ocupavam cadeiras de chefia.

“É um número que faz sentido, considerando que os canais de denúncias são uma ferramenta acessível para que os colaboradores reportem situações de desconformidade com as políticas da empresa”, analisa Fleider.

Já o perfil dos denunciantes em geral é composto mais por mulheres (53,2%), sendo 65,2% do total em postos subordinados à liderança.

Diante do resultado do estudo, a recomendação do CEO da ICTS é que as organizações continuem investindo em ações de acolhimento.

“Há um aumento das reclamações, mas isso não significa [necessariamente] uma piora nas condições de trabalho”, pondera. Reflete uma maior confiança dos empregados na efetividade dos canais de denúncia e o melhor entendimento das organizações sobre as más práticas de conduta, argumenta. “Novos programas de conformidade, a consolidação de iniciativas existentes e o fortalecimento dos movimentos sociais são fatores que impulsionam esse avanço.”

Fonte: Valor Econômico
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