07 ago Desemprego de 13,3% é o segundo pior desde 2012
Desemprego de 13,3% é o segundo pior desde 2012
Analistas dizem que situação deve se agravar na segunda metade do ano.
Pressionada pelos efeitos da covid-19 na economia, a taxa de desemprego chegou a 13,3% no segundo trimestre deste ano, informou ontem o IBGE. O índice é o pior para o período desde o início da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, em 2012, e só perde para o primeiro trimestre de 2017 (13,7%).
Técnicos do instituto e analistas afirmam, entretanto, que a situação do mercado de trabalho é ainda mais complicada do que o índice mostra. E tende a piorar nos próximos meses.
Os resultados de junho confirmam os apontamentos de pesquisas especiais do IBGE, ligadas à pandemia, de que a taxa de desocupação não vem refletindo a migração automática dos demitidos na crise e daqueles que já estavam desempregados para fora força de trabalho. Segundo Adriana Beringuy, gerente da pesquisa do IBGE, isso ocorreu porque muitos passaram a não mais procurar emprego devido ao isolamento social ou medo da doença.
Adriana diz que o fenômeno fica mais claro quando se analisam os motivos que levaram as pessoas a não buscar emprego. Na passagem entre o primeiro e o segundo trimestres, a justificativa de que “não havia trabalho na localidade” caiu 8,5 pontos percentuais nas menções dos entrevistados, para 30%. Todos os outros motivos tradicionalmente alegados também apresentaram queda. A rubrica “outros motivos”, que reúne fatores ligados à pandemia, saltou sete vezes, de 5,3% nos três primeiros meses do ano para 36,7% no segundo trimestre.
Segundo o IBGE, o número de desocupados (quem procura por vaga) se manteve estatisticamente estável em 12,8 milhões de pessoas comparada ao trimestre anterior e com igual período de 2019. Já a população fora da força de trabalho (que não procura emprego) saltou 15,6% na margem e foi a 77,78 milhões de pessoas no segundo trimestre.
Esse crescimento fez com que, pela primeira vez na série histórica, a soma dos dois grupos, equivalente à população em idade economicamente ativa que não trabalha (90,6 milhões de pessoas), superasse o total de ocupados, que caiu 9,6% para 83,3 milhões de pessoas no período.
Outra anomalia no histórico do mercado de trabalho que indica os efeitos da pandemia está no fato de a chamada “força de trabalho em potencial”, o grupo que não procurou trabalho, mas gostaria de fazê-lo ter crescido 63% para 13,5 milhões de pessoas no segundo trimestre ante o anterior, também superando de forma inédita o total de desocupados.
A economista-chefe da Claritas Investimentos, Marcela Rocha, chama atenção para a composição da perda na população ocupada, que envolveu 8,9 milhões de pessoas, das quais 6,0 milhões ou 68% não tinha carteira assinada. “A crise abrupta afetou muito o trabalhador informal”, disse. Embora menos intenso, o recuo dos empregados com carteira assinada no trimestre também foi recorde negativo (-8,9%), revertendo a tendência de recuperação identificada no ano passado.
O fim dos programas de proteção ao emprego na segunda metade do ano também preocupa os analistas como possível fator de aumento na desocupação. Diretor de Estudos e Políticas Macroeconômicas do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), José Ronaldo de Castro assinala a importância da suspensão ou redução de contratos de trabalho para a contenção do desemprego, mas diz que o fim dessas políticas não deve ter impacto tão negativo.
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