18 ago Desemprego prolongado cresceu de 2014 a 2019, aponta SPE
Desemprego prolongado cresceu de 2014 a 2019, aponta SPE
Grupo sem emprego por dois anos ou mais passou de 1,2% para 3,2% no período e mulheres são dois terços do total.
A parcela da população que ficou sem emprego por dois anos ou mais cresceu de forma constante entre 2014 e 2019, aponta a nota técnica Caracterização da Taxa de Desemprego de Longo Prazo Brasileira, elaborada pela Secretaria de Política Econômica (SPE), do Ministério da Economia.
Partindo de 1,2% da força de trabalho em 2014, atingiu 3,2% cinco anos depois. Em 2020, apresentou uma retração, chegando a 2,6%, provavelmente “resultante das medidas fiscais e de dinamização do mercado de trabalho adotadas ao longo de 2019 e início de 2020”, aponta a nota.
O documento informa que esse grupo é majoritariamente formado por mulheres, que representam dois terços do total. No corte por faixa etária, a parcela que tem de 17 a 29 anos corresponde a mais ou menos metade do contingente. Desse conjunto de jovens desempregados, aproximadamente 50% possuem nível médio completo, outros 38% não possuem sequer o nível médio e 12% tiveram alguma instrução de nível superior.
A nota cita estudo segundo o qual há perda de capital humano à medida que a pessoa fica sem trabalho. Outro trabalho demonstra que, após choques na economia, o desempregado pode ter dificuldade em retornar a seu nível original, o que prejudica a retomada da atividade. “Ademais, a TDLP [Taxa de Desemprego de Longo Prazo] é uma medida importante tanto por indicar o nível e o tempo de ociosidade de uma economia quanto por apontar a perda de produtividade dentro do ciclo econômico”, diz.
“A nota é mais um esforço para mostrar a importância da Medida Provisória (MP) 1.045”, disse ao Valor o secretário de Política Econômica, Adolfo Sachsida. A matéria foi aprovada pela Câmara dos Deputados e passará pelo Senado.
A MP 1.045 torna permanente o Benefício Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda (BEm) e cria programas de inserção profissional e qualificação. Também regula dois mecanismos que darão suporte ao primeiro emprego, o Bônus de Inclusão Produtiva (BIP), pago pelo governo, e o Bônus de Incentivo à Qualificação Profissional (BIQ), pago pela empresa.
O BIP e o BIQ criam condições para que jovens trabalhem e tenham treinamento, disse Sachsida. As propostas têm sido criticadas por garantirem menos direitos para os trabalhadores do que os previstos na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), mas a meta do governo é reduzir as exigências para formalizar mais contratações.
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