Dia Internacional das Mulheres 2022: Maioria no Brasil vê discriminação contra elas no trabalho

Dia Internacional das Mulheres 2022: Maioria no Brasil vê discriminação contra elas no trabalho

Publicado em 8 de março de 2022

Essa é a visão de 75% dos entrevistados ouvidos no país em pesquisa global feito pelo Ipsos.

Para a grande maioria dos brasileiros, as empresas não tratam homens e mulheres de maneira igualitária e isso não mudará enquanto não houver mais mulheres em cargos de chefia, mostra pesquisa Ipsos que será divulgada hoje.

Segundo a pesquisa, cujos resultados sobre mercado de trabalho foram antecipados ao Valor, 75% dos entrevistados no Brasil discordam da afirmação de que empresas tratam ambos os sexos com igualdade, sendo que dentre as mulheres esse percentual sobe para 84%.

O Brasil é o país com maior proporção de pessoas que discordam da frase. Depois vêm Japão e Chile (ambos com 64%) e França (58%). A média mundial é de 50%.

A pesquisa mostra que 76% dos entrevistados creem que haverá igualdade quando homens tomarem medidas para apoiar direitos das mulheres, o que sobe para 80% dentre mulheres. A média global é de 69%. Em 2020, o percentual de entrevistados que concordavam com a afirmação no Brasil era 68%. Assim como quando a questão é se a luta pelos direitos iguais entre homens e mulheres chegou a patamar suficiente. Em 2020, 30% concordavam com a frase. Hoje são 25%.

“É uma evolução, com muita gente dizendo que esse debate não se esgotou e que precisamos fazer mais. Há um entendimento da população, que nota tratamento e condições desiguais entre homens e mulheres”, diz Priscila Branco, gerente de Public Affairs do Ipsos.

A pesquisa Dia Internacional da Mulher 2022 foi realizada entre 21 de janeiro e 4 de fevereiro, em países como Brasil, África do Sul, Alemanha, Arábia Saudita, Argentina, Coreia do Sul e EUA. Foram entrevistadas 20.524 pessoas on-line, entre 16 e 74 anos em 30 países. A margem de erro é de 3,5 pontos percentuais.

Para João Hallak, gerente de indicadores sociais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a desigualdade de gênero no mercado de trabalho no Brasil é estrutural e visível em indicadores ao longo da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílio (Pnad) Contínua.

“Há uma divisão do trabalho, e isso inclui afazeres domésticos, consagrada na sociedade de que essa parte de cuidado é mais destinada às mulheres”, afirma Hallak. “Nas pesquisas vemos maior incidência de mulheres em trabalho parcial porque têm de cuidar de filhos e idosos, o que faz sua inserção no mercado ser prejudicada.”

Dados da Pnad mostram que o percentual de mulheres em relação ao total da população ocupada era de 41,7% em 2020 – últimos dados disponíveis. No subgrupo de população subocupada – que trabalha menos de 40 horas semanais, mas gostaria de trabalhar mais -, as mulheres são 52,4%.

Mulheres em cargos gerenciais representam hoje 35,7% do total, ante 64% no caso dos homens.

A pesquisa Ipsos mostra que quase 68% dos entrevistados no país (ante 59% em 2020) concordam que a igualdade de gênero não será atingida enquanto não houver mais mulheres em postos de liderança.

A desigualdade de gênero no mercado de trabalho é visível ainda quando se analisam desemprego, subocupação e renda.

Em 2020, a taxa de desemprego nacional era de 13,8%, chegando a 16,5% entre mulheres e a 11,7% entre homens. Hallak observa que essa diferença tem variado pouco nos últimos anos e independe do contexto econômico brasileiro.

“Em 2014, tínhamos 7% de desocupação, a taxa mais baixa da série histórica. Entre homens, essa taxa era 5,8%. Entre as mulheres, 8,7%”, lembra. “Então, seja na crise ou em momento de economia aquecida, essa diferença se mantém.”

A pandemia, por exemplo, atingiu mais os setores informal e de serviços, como trabalho doméstico, em que 91% são mulheres.

A lacuna de gênero também se manifesta no rendimento. Em 2020, um brasileiro recebia em média R$ 2.608 por mês, em contraste com R$ 2.037,00 mensais que uma brasileira recebia, diz.

“Muita gente associa isso ao menor tempo de trabalho das mulheres, que respondem pelo maior percentual de subocupados. Mas não é uma questão de trabalhar mais ou menos”, diz.

Quando se divide o rendimento por hora, a diferença persiste: os homens recebem R$ 15,1 por hora. As mulheres, R$ 13,4, conclui.

Fonte: Valor Econômico
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