Diferença entre salários no Brasil chega a 35%, aponta estudo

Diferença entre salários no Brasil chega a 35%, aponta estudo

Publicado em 4 de novembro de 2025

Pesquisa nacional com 205 empresas mostra que um analista financeiro na Região Norte pode ganhar R$ 4 mil, ante R$ 6,2 mil na Grande São Paulo.

Salários para uma mesma posição podem ter valores bem diferentes, de acordo com a região do Brasil. É o que mostra uma pesquisa da consultoria especializada em remuneração estratégica SG Comp Partners, que analisou as disparidades de ganhos médios observadas a partir da Região Metropolitana de São Paulo – em algumas comparações, os pagamentos podem ser 35% mais magros.

O levantamento, obtido com exclusividade pelo Valor, foi feito entre janeiro e julho de 2025 com 205 empresas. Para minimizar os efeitos de diferenças por setor, as tabulações se concentraram na posição de analista financeiro pleno, de um escritório central ou matriz, cargo considerado com um alto grau de padronização de tarefas, segundo a consultoria.

“O dado mais marcante da pesquisa é a persistência e a amplitude das diferenças salariais regionais, mesmo para uma função padronizada como a de analista financeiro”, avalia Paulo Saliby, CEO e fundador da SG Comp Partners. “Tomando a Região Metropolitana de São Paulo como referência, também encontramos salários 19% mais baixos no Nordeste e até 13% menores no Sul.”

Segundo o especialista, as diferenças se explicam por fatores estruturais, como concentração econômica, custo de vida, densidade de companhias multinacionais e práticas de governança mais maduras em alguns centros urbanos.

“Mesmo dentro de uma mesma região, caso do Sudeste, há diferenças”, aponta. “As capitais, exceto São Paulo, apresentam um índice de 92% [tomando como referência a remuneração praticada na Região Metropolitana de São Paulo como 100%], enquanto o interior paulista alcança 90%.”

Segundo especialista, muitas companhias enfrentam desafios na hora de transferir funcionários entre cidades com faixas salariais heterogêneas — Foto: Unsplash

Cidades como Belo Horizonte (MG) e Fortaleza (CE) apresentaram, em média, diferenças de 16,8% e 19,1%, respectivamente, frente aos pagamentos praticados na capital paulista. “São Paulo conta com um salário fixo médio mensal de R$ 6.284,05, maior do que em Belo Horizonte [R$ 5.228,67] e Fortaleza [R$ 5.084,66]”, compara Thamiris Morais, sócia da SG Comp Partners.

A maior disparidade foi encontrada na comparação entre capitais da Região Norte (menos Manaus e Belém) e a Grande São Paulo. Com uma diferença de 35%, o profissional do Norte recebe R$ 4.084,63 ante R$ 6.284,05 do colega em São Paulo.

Holerites desiguais

O padrão de consistência de “degraus salariais” entre regiões evidencia um país profundamente desigual em relação ao acesso a oportunidades e remunerações, mesmo em cargos técnicos “padrões”, diz Saliby. A recomendação dos especialistas para empregadores com operações espalhadas pelo país é investir em estratégias regionais de pagamento, levando em conta o custo de vida e o grau de competição por talentos no local.

“O uso de políticas uniformes [de salários] pode gerar distorções em termos de custos e engajamento de funcionários”, alertam. As empresas precisam avaliar o impacto das diferenças na equidade das equipes, especialmente em processos de mobilidade, promoção e realocação de profissionais, dizem.

Segundo Saliby, muitas companhias enfrentam desafios na hora de transferir funcionários entre cidades com faixas salariais heterogêneas. “Isso exige modelos de remuneração mais sofisticados, que consigam combinar um equilíbrio [nos salários] com a competitividade do mercado, princípio essencial para a sustentabilidade na gestão de pessoas.”

Fonte: Valor Econômico
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