Direito do Trabalho não funciona se todos entrarem na Justiça, diz professor

Direito do Trabalho não funciona se todos entrarem na Justiça, diz professor

Publicado em 16 de dezembro de 2024

Na Itália, o juízo é a última solução no campo do Direito do Trabalho, e boa parte dos problemas é resolvida por conciliações prévias, nas negociações e nas convenções coletivas. São ferramentas que podem ser absorvidas pelo Judiciário no Brasil, país em que tudo é levado para a Justiça.

A reflexão é do professor italiano Giuseppe Ludovico, que leciona Direito do Trabalho na Universidade de Milão. Em entrevista à série Grandes Temas, Grandes Nomes do Direito, o acadêmico apontou semelhanças e diferenças entre os Judiciários dos dois países, levando em conta o atual momento de judicialização excessiva na Justiça do Trabalho brasileira.

“Para nós, o juízo é a última solução”, diz o professor, emendando que, dessa forma, os tribunais italianos só se preocupam com processos mais complexos e delicados, que realmente exigem posicionamentos dos juízes.

“Há muitas medidas (que podem ser adotadas no Brasil): as negociações coletivas, o fortalecimento das convenções coletivas dos sindicatos para solucionar muitas questões. Muitas questões não precisam da intervenção do juiz”, diz.

“O excesso de litigiosidade não é bom não somente por uma questão de custo, mas, sobretudo, porque o sistema do Direito do Trabalho não pode funcionar se todas as vezes tem que entrar no Judiciário. O Judiciário tem que ser a solução quando a regra não é cumprida.”

Infraconstitucional

Ludovico explica que, depois da queda do fascismo, a legislação italiana não incluiu as leis trabalhistas na Constituição, que elenca apenas questões fundamentais. “Toda a legislação trabalhista é infraconstitucional, não está na Constituição. (O legislador) Também introduziu muitos contratos de trabalho flexíveis.”

Ele defende uma maior flexibilização das leis trabalhistas no país, concomitantemente a um incremento da qualidade do profissional. O professor argumenta que uma maior maleabilidade não é prejudicial ao trabalhador se houver, também, aumento da qualidade do trabalho e do trabalhador, que poderá usar os contratos flexíveis em seu favor.

“A flexibilidade não gerou problemas (na Itália), porque você pode flexibilizar quando há trabalho de qualidade. Essa é a questão: não é a flexibilidade, é a qualidade do trabalho. O Brasil deveria aumentar o nível de qualidade dos seus trabalhadores, para gerar emprego de maior qualidade e sustentar maior flexibilidade.”

Clique aqui ou assista abaixo a íntegra do vídeo:

Fonte: Consultor Jurídico
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