Diversidade aumenta, mas homens ainda são maioria

Diversidade aumenta, mas homens ainda são maioria

Publicado em 17 de outubro de 2023

Companhias tornam-se ambientes mais seguros para pessoas serem quem realmente são, aponta pesquisa.

As companhias reconhecidas na pesquisa Melhores Empresas Para Trabalhar no Brasil, realizada pelo Great Place to Work (GPTW BR), vêm se tornando ambientes mais receptivos para a diversidade. Embora a proporção de mulheres no quadro de funcionários tenha se mantido na faixa dos 45% nos últimos quatro levantamentos – contra 51,1% de participação na população brasileira -, a proporção de pessoas que não se não se identificam com o gênero masculino ou feminino cresceu mais de quatro vezes, de 0,3%, em 2020, para 1,4% em 2023. Segundo o levantamento, isso indica que essas empresas estão se tornando lugares mais seguros para que as pessoas tenham a liberdade de serem quem realmente são.

A 27ª edição da premiação das Melhores Empresas Para Trabalhar no Brasil avaliou 5.317 companhias que, juntas, têm 2,921 milhões de funcionários. As informações referem-se ao ano anterior ao da realização do levantamento.

A pesquisa contabilizou que 7,4% dos colaboradores se declararam com uma orientação sexual diferente de heterossexual – na população brasileira essa proporção varia de 10% a 15% em diversos levantamentos. Quase a totalidade das premiadas, 96%, oferecem planos de saúde que contemplem casais do mesmo sexo, e os funcionários homossexuais têm o mesmo tratamento que os heterossexuais – em relação a benefícios como presentes de casamento, datas comemorativas e convites para viagens – em 97% delas. Comitês, grupos ou áreas de combate à discriminação e promoção da diversidade estão presentes em 95% das melhores companhias.

Em relação a cor e etnia, 11,2% dos funcionários se declararam pretos ou pardos – 6,5% homens e 4,7% mulheres. No Brasil, os pretos e pardos são 10,6% e 45,3% da população, respectivamente, segundo o IBGE. O GPTW BR atribui a baixa presença de pretos e pardos nas melhores companhias a um problema social histórico, com reflexos no mercado de trabalho, e afirma que há um movimento recente, mas cada vez mais forte, das empresas para diminuir esse gap. Hoje, 54,5% das empresas têm programas de contratação de grupos minorizados, contra 49,3% em 2022. “Há uma evolução, e antes isso nem era discutido”, afirma o GPTW BR, que avalia que mais companhias irão adotar ações nesse sentido nos próximos anos.

Dentre as 150 premiadas, apenas 51 divulgaram dados sobre o número de pessoas com deficiência em seus quadros. Ao todo, são 2.067 PCDs, ou 2,6% do quadro.

A menor proporção de mulheres está entre os CEOs; elas ocupam 13,1% dessas posições e eles, 86,9%

No quadro total de gestores, embora ainda pequena, a proporção de representantes de minorias vem crescendo. Eram 23,4% no levantamento passado; agora, são 34,3%. Nesse quesito não há dados para 2020 e 2021. A maior participação de representantes de minorias está nos cargos de média liderança: 38,2% hoje, em comparação a 22,3% um ano antes. Na gestão operacional são 32,6%, ante 24,7% em 2022. Na diretoria e no C-level, essa participação cresceu de 10% para 23,4%. Nos conselhos e boards, as minorias não chegam a um quarto (24,7%) do total.

A discrepância entre homens e mulheres também vem diminuindo, ainda que lentamente. Em 2020, os homens ocupavam 62,1% das posições no quadro total de gestores, e as mulheres, 37,9%. Atualmente a proporção é de 56,5% e 43,5%, respectivamente. Houve ligeira piora, contudo, na comparação com o ranking de 2022, quando os homens ocupavam 54,1% das posições, e as mulheres, 45,9%.

A menor proporção de mulheres está entre CEOs. Elas são 13,1% e eles, 86,9%. Há quatro anos eram 8,7% e 91,3%, respectivamente. Já entre diretores e C-level, praticamente não houve mudança. Elas são 32,5% e eles, 67,5%, em proporções que pouco variaram nos últimos quatro levantamentos. Na média liderança, embora a discrepância ainda seja alta, houve mais movimentação. Enquanto na pesquisa de 2020 dois terços (66,5%) eram homens e um terço (33,5%) mulheres, hoje essa proporção é de 60,8% e 46,8%, cada. Nos cargos de gestão operacional, na mesma base de comparação, a proporção passou de 59% e 41% para 53,2% e 46,8%, respectivamente.

Considerando benefícios, 23% das listadas oferecem licença-maternidade acima dos 120 dias exigidos por lei, e dois terços delas (66%) dão licença-paternidade acima dos cinco dias regulamentares. A oferta de práticas de saúde e bem-estar está presente em quase todas (96,7%, contra 87,3% há um ano) – o que não é surpresa, segundo a GPTW BR, devido à importância do tema nos últimos anos -, e em 25% os funcionários podem trabalhar de qualquer lugar. Praticamente três de cada quatro empresas ofereceram treinamento para liderança e times em relação ao trabalho remoto. O horário flexível de trabalho, que chegou a 90% em 2021, no auge da pandemia de covid-19, recuou para 82,7%.

Fonte: Valor Econômico
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