Diversidade geracional beneficia empresas, dizem especialistas

Diversidade geracional beneficia empresas, dizem especialistas

Publicado em 7 de março de 2024

70% das companhias não contrataram ou contrataram muito poucos profissionais com mais de 50 anos, mostra pesquisa.

Um dos caminhos para construir um ambiente corporativo mais criativo e produtivo é promover a diversidade geracional. A interação entre profissionais mais sêniores e jovens traz benefícios reais para as empresas, afirmam especialistas que participaram da Live do Valor + Valor Social, área de responsabilidade social da Globo, sobre “Etarismo e gênero no mercado de trabalho”.

“A sociedade brasileira está envelhecendo e as empresas vão ter que se preparar para isso. Hoje, o preparo é para o jovem, mas não adianta demitir todo mundo. O ganho está na troca de experiências”, diz Sergio Serapião, CEO da Labora, startup que promove inclusão produtiva com diversidade geracional no mercado de trabalho.

Pesquisa recente feita pela Labora, em parceria com a consultoria Robert Half, mostra que 48% das organizações brasileiras contam com programas relacionados à diversidade geracional. Ao mesmo tempo, nos últimos dois anos, 70% das companhias não contrataram ou contrataram muito poucos profissionais com mais de 50 anos.

“O ‘mindset’ das empresas ainda é tradicional, como se a vida e a carreira fossem super curtas. Acreditam ainda que a população economicamente ativa vai até os 65 anos”, destaca Serapião.

A juíza do Trabalho Erotilde Minharro reforça a tese de que as empresas precisam passar por um processo de adaptação, especialmente no que se refere às mulheres. Ela cita a Lei 14.611/2023, que trata da paridade salarial de gênero, como um fator de esperança.

“Eu gosto dessa lei porque, além da questão salarial, ela envolve aspectos de gênero, idade e raça, três formas prementes de discriminação que vemos hoje no país”, diz.

A nova lei foi inspirada na legislação da Islândia. “Lá funcionou. Entrou em vigor em 2018, quando havia uma disparidade salarial de 20% entre homens e mulheres. Em 2023, o percentual foi para 8%. Estou bastante esperançosa com a transparência que a lei pode trazer”, diz Minharroa, apesar de destacar que há empresas resistentes de cumprir as novas exigências de apresentação de relatórios periódicos sobre a situação do quadro funcional. “Não fazer os relatórios pode gerar multas, dano reputacional e outras dificuldades para as companhias”, diz a juíza.

Diante do quadro atual no mercado formal de trabalho, muitas mulheres preteridas pela idade estão encontrando novas perspectivas e fontes de renda em iniciativas na internet, destaca a antropóloga Mirian Goldenberg.

“Mulheres que estavam em profissões incríveis agora se tornaram influenciadoras digitais e estão falando de menopausa, cabelos brancos, qualidade de vida e ganhando um bom dinheiro com isso” afirma Mirian Goldenberg, que é escritora e professora-titular em antropologia cultural e sociologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

“Entrevistei mais de 50 mulheres. Elas estão se reinventando e conseguindo ter na velhice aquilo que invejaram a vida inteira nos homens: a liberdade de serem elas mesmas. Essa autenticidade no mundo digital é extremamente valorizado”, diz.

Fonte: Valor Econômico
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