18 jul Diversidade virou exigência para negócios, avisa maior consultoria sobre tema na América Latina
Diversidade virou exigência para negócios, avisa maior consultoria sobre tema na América Latina
Ricardo Sales, fundador da Mais Diversidade, destaca ações de inclusão no Estado.
Há cerca de duas décadas, o empreendedor Ricardo Sales fundou a empresa Mais Diversidade para aumentar a inclusão no meio corporativo. Hoje, é a maior consultoria sobre o tema na América Latina, com clientes em todo o Brasil e países da região.
Na semana passada, participou de evento da Câmara Americana de Comércio (Amcham) em Porto Alegre. À coluna, destacou que a perspectiva da diversidade e da inclusão abre potencial de negócios, especialmente no âmbito da agenda ESG (sigla em inglês para governança corporativa, social e ambiental).
Sales alerta que o meio empresarial precisa ficar atento a questões sociais, não só por importância para a sociedade, mas para o bom andamento dos negócios.
— Os temas diversidade e inclusão estão diretamente associados à capacidade de atrair novos talentos que não admitem mais trabalhar em empresas preconceituosas. Também geram valor na forma de maior inovação, criatividade, engajamento, melhora da imagem corporativa, do clima organizacional e de conexões comerciais. Quando a gente olha para a agenda ESG, ganha relevância ainda maior, pois as empresas de capital aberto hoje também precisam prestar contas ao mercado sobre esses assuntos — destacou.
A Mais Diversidade desenvolve seu trabalho em quatro eixos. Tem uma consultoria estratégica, que apoia empresas no planejamento profissional para diversidade e inclusão; atua em educação corporativa, oferecendo letramento em forma de palestras, workshops e mentorias; faz pesquisas e levantamentos e, por fim, curadoria de talentos, por conexão entre empresas e profissionais, sejam pessoas negras, mulheres, da comunidade LGBT+, ou pessoas com deficiência.
Em junho, a Mais Diversidade divulgou os resultados de uma pesquisa que mediu o acolhimento nos ambientes de trabalho brasileiros para colaboradores LGBT+, realizado em parceria com a Human Rights Campaign Foundation. O estudo é feito há 20 anos nos Estados Unidos e, neste ano, foi realizado pela primeira vez no Brasil. Duas organizações gaúchas se destacaram com nota máxima, Yara e Gerdau.
— As duas empresas são nossas clientes. A Gerdau, por exemplo, ainda decidiu que todos seus fornecedores precisarão ter também de estruturar diversidade e inclusão até 2025 se quiserem continuar prestando qualquer serviço para a empresa em toda a sua cadeia. Fazemos trabalhos de longo prazo, investindo em produção de conteúdo, como a gravação de podcasts e vídeos, para mostrar às empresas os caminhos a percorrer para avançar nessa agenda — detalha Sales.
Na avaliação do empresário, o debate sobre o tema no meio corporativo avançou nos últimos anos, mas de forma desigual. Cresceu nas grandes empresas, mas nas médias, pequenas e familiares, responsáveis pela contratação de grande parte da população, ainda há um caminho longo a percorrer. Quando a Gerdau toma uma ação como essa, na sua visão, impacta também as menores.
— Para continuar avançando, precisamos aumentar a conscientização dos líderes, para garantir apoio e recursos para evolução dessa agenda. Também é preciso tratar esse tema com profissionalismo, incluindo metas a alcançar e indicadores para medir o avanço. As ações educacionais ainda são importantes, mas precisamos ir além, fazendo contratações e dando mais espaço interno de decisão — pondera.
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