29 maio Do papel à prática: o bem-estar como estratégia para a retenção de talentos
Do papel à prática: o bem-estar como estratégia para a retenção de talentos
Diretor de RH da Marcopolo explica como a empresa de Caxias do Sul realiza ações de acolhimento para os colaboradores.
A saúde mental é um dos principais motivos que levam trabalhadores a se afastarem do trabalho no Brasil, de acordo com dados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
O cenário impõe um desafio às organizações: para garantir a sustentabilidade do negócio, é preciso tirar o bem-estar do papel e colocá-lo no centro da estratégia.
Esse movimento ganha ainda mais força dentro da agenda ESG. No pilar Social (S), a criação de ambientes psicologicamente seguros deixa de ser apenas uma boa prática e passa a representar um diferencial competitivo, além de um compromisso ético indispensável na gestão das empresas.
Na mesma direção, a Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), atualizada em 2024, passa a exigir que as organizações identifiquem, avaliem e controlem os riscos psicossociais, como estresse, sobrecarga de trabalho e assédio, incorporando esses fatores de forma estruturada às estratégias de saúde e segurança do trabalho.
Com condução do jornalista Rodrigo Lopes, o novo episódio do videocast “Governança Pra Quem Decide” — iniciativa que integra a nova fase do projeto Pra Cima, Rio Grande — debateu as mudanças da NR-1 e como as organizações são impactadas por ela.
O videocast é produzido por RBS Conteúdo para Marcas e cocriado com Corsan/AEGEA, Marcopolo e Be8.
https://www.youtube.com/watch?v=yd4SlaoR-Vc
Na prática, o diretor de Gestão de Pessoas da Marcopolo, Caio Doi, explica que a mudança na NR-1 deixa de considerar apenas o lado físico dos profissionais e a parte psicológica e psíquica passa a ser responsabilidade da gestão das empresas e do trabalhador.
O cuidado com a saúde mental dos colaboradores também é um diferencial na retenção de talentos.
— As novas gerações estão mostrando que existe realmente uma nova forma de olhar o negócio. A pergunta que faço, pensando nesse contexto, é se quem está dentro das empresas está preparado para, efetivamente, atender a esses anseios, saber acolher um tema psicológico ou psicossocial e lidar com as pessoas — questiona.
Doi também acredita que nessa equação é preciso considerar que às vezes as mudanças esbarram na gestão: embora a alta direção estabeleça prioridades e dê o exemplo, a liderança média, que atua na linha de frente, ainda carece de preparo.
— Não podemos imaginar que gerentes médios e supervisores sejam super-heróis ou super-heroínas que resolverão esse processo sozinhos. É aí que entra o papel das áreas de suporte e gestão de pessoas para preparar essas lideranças. Esse novo mercado de trabalho exigirá muita tranquilidade e maturidade desse nível de gestão, algo que deve ser desenvolvido ao longo do tempo com o apoio das áreas de suporte — diz.
Foco nas pessoas
O papel das organizações em construir ambientes mais acolhedores passa por ações efetivas no dia a dia. Além das ideias, é preciso que as empresas montem projetos práticos pensados para atender a saúde dos colaboradores.
A Marcopolo já realiza ações práticas visando esse tipo de acolhimento e criou a “Brigada de Apoio Psicossocial”.
— Não são psicólogos, mas colegas preparados para fazer a primeira conversa, identificar se alguém não está bem e direcionar para os canais internos (assistente social, médico ou psicólogos do plano de saúde). O único problema que não resolvemos é o que não sabemos que existe — pontua o executivo
Pra Cima, Rio Grande
O movimento “Pra Cima, Rio Grande”, liderado pelo Grupo RBS, atua como uma plataforma permanente de diálogo que discute sobre o futuro do Estado em um momento de reconstrução.
O projeto concentra seus esforços em cinco trilhas estratégicas: Cidades e Soluções, Educação, Consumo, Empreendedorismo e Governança, visando soluções de longo prazo para os gaúchos. A iniciativa conta com o apoio das empresas Marcopolo, Corsan/AEGEA e Be8.
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