30 nov É preciso pôr fim à cultura tóxica no ambiente de trabalho
É preciso pôr fim à cultura tóxica no ambiente de trabalho
Saúde mental deve ser pauta permanente na organização. É uma questão de cultura. Portanto, precisa ser trabalhada e reforçada constantemente.
Constantemente, usamos vídeos de nossos funcionários chegando em casa sorridentes, abraçando os filhos, em segurança, condição inegociável. Em nossas empresas, que orgulho sentimos ao mostrarmos a queda frequente da taxa de acidentes graves, de fatalidades.
Mas a cena de família Doriana não representa a realidade. Nossos colegas de trabalho não estão voltando inteiros. Fisicamente, pode ser. Mas muitos sentem um vazio enorme por dentro.
Faça um exercício e peça para desmembrarem os números de saúde e segurança. Peça para mostrarem a evolução dos casos relacionados à saúde mental.
Ao ver os dados de uma grande empresa brasileira, impressiona a forte queda no número de afastamentos por outras questões, enquanto a curva se mostra exponencial quando se trata de problema psicológico.
O brasileiro do futebol, samba e sorriso fácil há muito é considerado o povo mais ansioso e o terceiro mais estressado do mundo, pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Somos, ainda, o segundo do mundo em número de “burnout”.
De maneira crônica, os distúrbios mentais são exacerbados por discriminação, desigualdade e outros problemas estruturais que temos. Como esperado, a pandemia só fez intensificar esses problemas. Mais da metade dos brasileiros sentiram-se mais ansiosos e estressados.
O ambiente de trabalho é uma enorme fonte e, por outro lado, saúde mental está entre as maiores causas de afastamento do trabalho.
“Mas trabalho é trabalho. Se está deprimido, não vai melhorar”. Eu, como líder, quero proporcionar um ambiente psicologicamente seguro. As pessoas voltando felizes, inteiras, no sentido mais amplo, para suas casas. Não sei se cheguei lá ainda, mas trabalho para isso.
A prevenção é possível, mas as empresas estão fazendo muito pouco para isso. A maioria das ações são reativas e, quando têm caráter preventivo, são pontuais e ineficientes.
Segundo o Tribunal Superior do Trabalho (TST), as principais causas são: assédio moral e sexual, jornadas exaustivas, metas abusivas, eventos traumáticos, perseguição do chefe, isolamento, entre outros. Elementos de uma cultura tóxica.
É necessário a liderança puxar para si e dar a importância a essa tarefa. Diagnósticos e treinamentos constantes são necessários. Líderes falando sobre o tema, para reduzir o forte estigma atrelado a isso, é fundamental.
Saúde mental deve ser pauta permanente na organização. É uma questão de cultura. Portanto, precisa ser trabalhada e reforçada constantemente.
Tenho orgulho de o Pacto Global da ONU no Brasil ter lançado um movimento inédito no mundo, o Mente em Foco. O objetivo é colocar o tema em discussão no país e dar os instrumentos necessários às empresas.
O convite que faço aos leitores e leitoras desta coluna é para que sejam sensíveis e corajosos para perceberem o ambiente que temos em nossas empresas e tomarem ação para melhorá-lo.
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