08 set Educação corporativa: treinamentos presenciais ficam mais seletivos
Educação corporativa: treinamentos presenciais ficam mais seletivos
Pesquisa mostra que empresas estão mais criteriosas sobre quando devem reunir as pessoas para um programa de capacitação; temas de bem-estar, cultura e autodesenvolvimento ganham espaço.
A educação corporativa foi a solução encontrada por 97% das companhias para manter seus funcionários em treinamento durante a pandemia, e será a solução mais utilizada para capacitação daqui para frente. Por uma questão de custo (passagens, hotéis), mas também de flexibilidade para atender uma força de trabalho mais descentralizada, apenas 27% das empresas pretendem realizar treinamentos exclusivamente presenciais a partir de 2022.
O cenário aparece na pesquisa “Prática e Resultados da Educação Corporativa”, realizada pela FIA Business School, e obtida pelo Valor. O estudo, que está em sua quinta edição, ouviu 63 organizações, sendo quase 70% privadas e 76% nacionais, e em 60% delas os diretores e gerentes das áreas corporativas foram os respondentes.
“Vimos que os treinamentos presenciais vão continuar nos novos modelos de trabalho, mas em um patamar muito menos elevado do que no pré-pandemia. As empresas serão muito mais seletivas sobre quando reunir as pessoas presencialmente para um programa de educação”, afirma Marisa Eboli, coordenadora do estudo e trabalhando com o tema desde 1999. Eboli diz que em 2019 somente 24% dos programas eram exclusivamente on-line, em 2020 o número chegou a 76% e, em 2021, ficou em 74%. Para 2022, a projeção é que mais da metade dos programas sejam somente EAD.
Outro impacto na educação corporativa pós-pandemia, diz Eboli, está ligado aos temas dos programas. De 2019 para 2021, autodesenvolvimento para promoção de saúde e bem-estar e treinamentos para disseminar a cultura organizacional subiram no ranking de prioridades. “Eu não conheço uma empresa hoje que não esteja trabalhando a questão da transformação cultural após a pandemia”, diz.
Em sua visão, a educação corporativa sempre demandou o envolvimento direto das lideranças para garantir treinamentos estratégicos e eficazes. Na pesquisa, apenas 56% dos respondentes acreditam que as lideranças de suas organizações têm o conceito de educação corporativa bem assimilado.
O mapeamento de competências estratégicas análise de gaps individuais e resultados de assessments é um direcionador para 19%. Considerando demandas dos próprios funcionários, apenas 10% dos respondentes afirmaram que este é um critério.
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