Efeito no emprego deve ser forte, similar ao de outros países

Efeito no emprego deve ser forte, similar ao de outros países

Publicado em 13 de abril de 2020

Considerando estimativa do governo de cerca de 3 milhões de demissões, Bradesco calcula que taxa de desemprego vai aumentar 3 pontos percentuais.

O mercado de trabalho brasileiro sofrerá efeitos negativos similares aos já vistos em outros países em razão da pandemia de coronavírus, avalia o Bradesco. Em relatório, os economistas Thiago Angelis e Fernando Honorato Barbosa afirmam que, mesmo com as medidas de sustentação de ocupação e renda, o impacto sobre o nível de emprego será relevante. Comércio, serviços, transporte e turismo devem ser os setores mais afetados no curto prazo.

Segundo o Ministério da Economia, sem qualquer intervenção, o Brasil poderia perder até 12 milhões de postos de trabalho. Ainda pelas as projeções oficiais, iniciativas como a Medida Provisória 936 – que permite a redução de salário e jornada e a suspensão do contrato de trabalho -, e o auxílio emergencial de R$ 600 a informais e microempreendedores individuais reduziriam o total de empregos perdidos a cerca de 3,2 milhões.

Assumindo que o percentual de pessoas empregadas e procurando emprego em relação à população em idade ativa (taxa de participação) vai seguir perto dos atuais 62%, o Bradesco calcula que esse volume de demissões elevaria a taxa de desemprego em cerca de três pontos percentuais. No trimestre móvel encerrado em fevereiro, os desempregados eram 11,6% da força de trabalho. Se nada fosse feito para minimizar os impactos da crise no mercado, o desemprego saltaria 11 pontos, estima o banco. Isso quase dobraria a taxa atual.

Angelis e Honorato observam que a covid-19 já fez estragos no nível de emprego de outros países, como na China, onde o desemprego subiu um ponto em menos de um mês. Nos EUA, houve 6,6 milhões de pedidos de auxílio-desemprego na última semana de março e redução líquida de 700 mil ocupações em igual mês, destacam eles.

No Brasil, apontam, o isolamento social atinge a maior parte da população. Citando levantamento da In Loco e da USP a partir de informações do uso de telefones celulares, Angelis e Barbosa notam que a parcela de brasileiros em confinamento subiu de 22% no início de março para quase 60% no último dia do mês.

Na média de São Paulo, Rio, Belo Horizonte, Porto Alegre e Salvador – as cinco maiores capitais, que concentravam quase um quarto dos 94,5 milhões de ocupados no fim de 2019 – o Bradesco nota que o isolamento atingiu 57% das pessoas no fim do mês passado. Essa proporção ficou em 56% na média das demais capitais, e em 58,3% no país.

Em termos setoriais, o impacto não será homogêneo. Comércio e serviços, que dependem mais do componente presencial, e transporte e turismo, que estão naturalmente restritos, devem ser os segmentos mais afetados no curto prazo, dizem Angelis e Honorato.

No médio prazo, a avaliação é que construção civil, parte da indústria, serviços de água e luz, que não têm sofrido restrições diretas, e serviços de comunicação e atividades financeiras, que conseguiram se adaptar em um primeiro momento, terão reduções maiores na ocupação.

“No curtíssimo prazo, o contingente de trabalhadores informais também se coloca como uma dimensão relevante”, acrescentam os economistas. “Empregados sem carteira assinada, microempreendedores individuais e trabalhadores por conta própria não contam com a mesma rede de proteção garantida aos empregados formais e estão naturalmente mais expostos.”

De acordo com o Bradesco, comércio e serviços concentram mais de 60% dos informais, que são mais de 29 milhões no total.

Fonte: Valor Econômico
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