26 maio Em 2021, emprego cresce na indústria, mas salário médio recua
Em 2021, emprego cresce na indústria, mas salário médio recua
Pessoal ocupado sobe 11,4%, para 2,2 milhões de pessoas, a maior taxa de crescimento desde 2010.
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Com recuperação da economia no pós-pandemia e juros ainda em patamares mais baixos que os atuais, a indústria da construção registrou crescimento em 2021, como mostram os dados da Pesquisa Anual da Indústria da Construção (PAIC) 2021, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O pessoal ocupado subiu 11,4%, para 2,2 milhões de pessoas, a maior taxa de crescimento desde 2010, quando tinha sido de 18,7%. Entre 2020 e 2021, 225,1 mil trabalhadores foram incorporados à indústria da construção.
Já o valor total de salários, retiradas e outras remunerações ficou em R$ 67,2 bilhões em 2021, 5,7% superior ao de 2020. O montante supera o nível pré-pandemia (R$ 63,8 bilhões em 2019), mas o cenário é diferente na análise de longo prazo: é 34% inferior ao de 2012 (R$ 101,8 bilhões).
Salário médio da construção correspondia a 2,1 salários mínimos, o menor da série.
Outro indicador da perda de fôlego da remuneração do setor nos últimos anos é o salário médio, na comparação com o salário mínimo. O salário médio da indústria da construção correspondia a 2,1 salários mínimos em 2021, abaixo de 2020, quando ficou em 2,5 salários mínimos, e o menor patamar da série histórica para esse dado, iniciada em 2007.
No ano de 2021, o início da recuperação da economia após os primeiros meses de pandemia ajudou no bom desempenho da indústria da construção, segundo o analista da PAIC 2021 Marcelo Miranda. Em 2020, a construção não foi afetada pela pandemia, por ser atividade essencial, e teve crescimento modesto, aponta ele.
“Naquele ano o país ainda estava com desemprego alto, mas as taxas de juros estavam mais baixas. Isso estimula a questão de investimentos na área e as pessoas pegarem crédito. Foram esses fatores que contribuíram para o cenário mais positivo”, afirma.
Na análise por segmento da indústria, a construção de edifícios teve R$ 168,6 bilhões em valor de incorporações, obras e/ou serviços da construção em 2021, o que significa 44,6% do total. Em 2012, esta fatia era menor, de 42,6%.
O ramo teve 807.702 pessoas ocupadas – 16,4% a mais que em 2020 – e foi uma das principais influências para o aumento do pessoal ocupado como um todo.
Já as obras de infraestrutura chegaram a R$ 122,4 bilhões em valor de incorporações, o que era 32,4% do total. O segmento perdeu participação nos últimos anos, já que sua fatia era de 40,8% em 2012. Foi também o único entre os três ramos da construção a registrar queda de pessoal ocupado em 2021 em relação a 2020, de -0,6%, para 637.291 pessoas ocupadas.
Por fim, os serviços especializados para a construção tiveram R$ 86,9 bilhões em valor, uma parcela de 23% no total da indústria. O segmento ganhou representatividade nos últimos anos: a fatia era de 16,6% em 2012. O total de pessoas ocupadas, por sua vez, subiu 17,9% frente a 2020, para 758.738 pessoas, a maior alta entre os três ramos. Já o valor em salários, retiradas e outras remunerações chegou a R$ 21,2 bilhões.
Outra tendência identificada pelo IBGE foi o ganho de participação do setor privado na construção e a perda de representatividade do segundo, puxado por infraestrutura.
Em 2007, o setor privado respondia por 59,7% da indústria, parcela que subiu para 74,4% em 2021, a maior da série, iniciada em 2007. Já a fatia do setor público caiu de 40,3% para 25,6%, em igual base de comparação. No segmento de infraestrutura, a fatia do setor privado subiu de 44,3% em 2007 para 56,8% em 2021.
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