Em Bento Gonçalves, ministro do TST fala sobre responsabilidade de empresas que terceirizam mão de obra

Em Bento Gonçalves, ministro do TST fala sobre responsabilidade de empresas que terceirizam mão de obra

Publicado em 27 de fevereiro de 2024

Desembargador Ricardo Costa e ministro do Tribunal Superior do Trabalho Augusto de Carvalho participaram de seminário “Direito Fundamental ao Trabalho Decente”, nesta segunda (26).

O presidente do Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (TRT4), desembargador Ricardo Martins Costa, e o ministro do Tribunal Superior do Trabalho (TST) Augusto César Leite de Carvalho participaram de uma coletiva de imprensa, nesta segunda-feira (26), antes do início do seminário Direito Fundamental ao Trabalho Decente, em Bento Gonçalves. Durante a conversa, os profissionais relembraram o resgate dos 207 trabalhadores em situação análoga à escravidão, em fevereiro do ano passado, e mencionaram a importância da fiscalização dentro das empresas.

O presidente do TRT4 mencionou que o seminário, que está sendo realizado pela primeira vez, é uma forma de mostrar que os órgãos competentes estão dialogando com a sociedade sobre o que está acontecendo, tanto de forma positiva quanto negativa.

— Sabemos que onde não há fiscalização permeia o trabalho análogo (à escravidão). Então, a fiscalização e a Justiça mantêm esse equilíbrio— disse Costa.

Em seguida, o ministro Carvalho pontuou a importância da fiscalização destacando que empresas que contratam terceirizadas também têm responsabilidade sobre as condições vividas pelos trabalhadores. No caso dos 207 safristas resgatados, era uma empresa terceirizada a responsável pelos contratos dos trabalhadores.

— A terceirização pode ocorrer perante a lei, é uma atividade autorizada no Brasil e que está franqueada, mas isso não quer dizer que aquele que está terceirizando, a empresa que está terceirizando e que pagou por esses serviços pode negligenciar a fiscalização daquilo que está acontecendo lá na ponta. Isso é um conceito que está muito forte no direito internacional dos direitos humanos, que é o dever de diligência e responsabilidade com a cadeia produtiva — iniciou o ministro.

Em seguida, Carvalho citou uma iniciativa europeia sobre a responsabilização de empresas e reforçou a importância da fiscalização por parte de empresas que terceirizam os trabalhos.

— Na Europa, por exemplo, existem projetos para prevalecer para os 27 países que integram a União Europeia, e nesse projeto está estabelecido que as empresas têm responsabilidade em relação a toda cadeia de suprimentos. Então, não adianta desculpar-se de que “nós terceirizamos e nós não tínhamos responsabilidade com o serviço terceirizado”, não, as empresas têm, sim, responsabilidade e é isso que precisa ficar acoplado — concluiu o ministro Augusto de Carvalho.

Após a coletiva, o ministro e o presidente seguiram para o início do seminário, que começou por volta das 19h, que tem painéis e palestras também nesta terça-feira (27) e quarta (28). O evento ocorre no Dall’Onder Grande Hotel e conta com a participação de profissionais de diferentes áreas para falar sobre direitos trabalhistas e humanos.

Fonte: Gaúcha GZH
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