16 jan Em campanha, Maduro eleva salário mínimo em 43%
Em campanha, Maduro eleva salário mínimo em 43%
Venezuela comemora um crescimento do PIB de 5% em 2023, só que omite o fato de a base de comparação ser baixíssima, resultado de anos de colapso econômico.
A Venezuela anunciou ontem um aumento de 43% no salário mínimo, em um esforço para conter os crescentes protestos de funcionários públicos descontentes antes das eleições presidenciais que devem ocorrer este ano, mas ainda não têm data definida.
O salário-base mensal é o equivalente a menos de US$ 4, mesmo com o aumento, mas o presidente Nicolás Maduro disse ontem que os trabalhadores receberão um bônus mensal de US$ 60, bem como US$ 40 em vale-refeição. Antes do anúncio, os ganhos mínimos, somados, eram equivalentes a cerca de US$ 70.
No anúncio, feito por Maduro em mensagem ao Legislativo, o líder chavista também informou que o Produto Interno Bruto (PIB) da Venezuela cresceu 5% em 2023 e que a projeção para este ano é de 8% – taxas comemorado por políticos governistas, que omitem a fraca base de comparação após anos de colapso econômico.
O independente Observatório Venezuelano de Finanças estima que a inflação de 2023 no país foi de 193% – a relativa melhora em relação aos anos anteriores de taxas de até quatro dígitos se deu em razão de uma dolarização informal da economia e do ainda tímido aumento na produção petrolífero após a suspensão de algumas sanções dos EUA ao setor.
“Abriremos espaços para a recuperação total dos trabalhadores, desde benefícios trabalhistas até o bem-estar social”, disse Maduro.
Espera-se que Maduro busque um terceiro mandato nas eleições, embora esteja muito atrás da líder da oposição María Corina Machado nas pesquisas. Ele também procura acirrar o fervor nacionalista antes da votação, reativando uma disputa fronteiriça há muito adormecida com a Guiana.
Professores e outros funcionários públicos têm protestado recentemente por salários mais altos em todo o país. Antes do anúncio de Maduro, a presidente da Federação de Professores, Carmen Márquez, disse que o salário teria de aumentar cerca de 25 vezes, para mais de US$ 550 por mês, para lhes permitir comprar bens básicos.
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