Em evento com sindicalistas, Lula diz que aplicativos ‘exploram o trabalhador’

Em evento com sindicalistas, Lula diz que aplicativos ‘exploram o trabalhador’

Publicado em 2 de março de 2023

Presidente também criticou reformas trabalhista e da Previdência.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nessa quarta-feira (1º) que os trabalhadores da América Latina sofreram retrocessos nos seus direitos nos últimos anos. E afirmou que eles nunca foram tão explorados quanto hoje, na era dos aplicativos de entrega. Ele também criticou as reformas trabalhista e da Previdência, feitas respectivamente no governo Michel Temer e Bolsonaro.

Lula, que ingressou na vida política na década de 1970 como sindicalista, fez o comentário durante encontro com a Confederação Sindical de Trabalhadores e Trabalhadoras das Américas (CSA), no Palácio do Planalto.

“Todos sabemos a responsabilidade que os líderes sindicais terão daqui para a frente de tentar estruturar um novo pacto na legislação do mundo do trabalho. Aqui no Brasil, nós temos uma imensa maioria de trabalhadores intermitentes, temporários, que não conhecem quem é o seu empregador, que não sabem a quem reclamar quando alguma desgraça acontece”, disse o presidente.

“As fábricas já não têm a quantidade de trabalhadores que tinham. O trabalho informal ganha dimensão maior do que o formal. E as empresas de aplicativo exploram o trabalhador de maneira que jamais foram explorado.”

Durante sua campanha à Presidência, Lula citou diversas vezes a precariedade da situação trabalhista sobretudo dos motoboys que fazem entregas por meio de empresas de aplicativos. O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, já disse que tentará fazer mudanças na legislação para atendê-los.

Lula, que se opôs à reforma trabalhista, disse ainda que “grande parte das conquistas” dos trabalhadores “desapareceram nos últimos anos”. Sem citar os ex-presidentes Temer e Jair Bolsonaro, Lula disse que o Brasil não teria vivido uma democracia nos últimos anos, quando foram feitas as reformas trabalhista e previdenciária. As reformas foram aprovadas pelo Legislativo, na forma estabelecida pela Constituição.

“Os brasileiros aprenderam o que é regime democrático com o os governos Lula e Dilma e alguns antes dos nossos. E aprenderam o que não é democracia no último período”, disse Lula.

Ao criticar a reforma da Previdência, feita no primeiro ano do governo Bolsonaro, Lula defendeu que isso seja feito através do voto em pessoas que os representem.

“Muitos trabalhadores na reforma previdenciária perderam direitos quase seculares. Como vamos restaurar isso? Primeiro, acreditando na democracia. Temos que saber na hora das eleições quem é que pode estar conosco”, disse Lula. “É importante que os trabalhadores compreendam que a saída para os trabalhadores não está na luta sindical, mas na luta política.”

Na visão de analistas e economistas, no entanto, a reforma da Previdência foi fundamental para equilibrar as contas públicas. E as mudanças na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) modernizaram uma legislação que parte dos agentes econômicos considerava anacrônica.

Relator da reforma trabalhista quando era deputado e articulador da reforma previdenciária, no cargo de secretário de Previdência do governo Bolsonaro, o senador Rogério Marinho (PL-RN) criticou no Twitter as falas do presidente. “Lula dizendo lulices!!!”, descreveu. “Discurso do corporativismo si

Fonte: Valor Econômico
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