Em reunião, Lula e Biden vão discutir questões trabalhistas

Em reunião, Lula e Biden vão discutir questões trabalhistas

Publicado em 18 de setembro de 2023

Além da reunião com Biden, é possível que o presidente brasileiro se encontre nos próximos dias com o líder da Ucrânia, Volodymyr Zelensky.

 O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, adiantou ontem, em Nova York, alguns detalhes sobre a iniciativa conjunta entre Brasil e EUA a ser divulgada na quarta-feira, quando os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Joe Biden vão se reunir e discutir, entre outros temas, assuntos ligados a direitos trabalhistas. O evento deverá tratar de políticas para trabalhadores de aplicativos, direito de representação sindical e trabalho decente. Dirigentes sindicais de ambos os países estarão presentes. O trabalho conjunto começou em julho.

Para o Brasil, “é um reconhecimento importante e um reposicionamento do país como liderança global”, afirmou Marinho, que ressaltou o que vê como ineditismo do posicionamento americano ao assunto. “É a primeira vez que eu saiba que a Casa Branca tem um assessor para o tema trabalho.” Marinho faz parte da comitiva do governo brasileiro que está em Nova York, onde Lula vai participar da Assembleia Geral das Nações Unidas. Por tradição, o presidente fará o discurso de abertura do evento, amanhã.

Lula também terá uma série de encontros bilaterais. Uma possível reunião é com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky. Segundo o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), o governo brasileiro ofereceu dois horários para se encontrar com o líder ucraniano. Em maio, os dois quase se reuniram durante a cúpula do G7, no Japão. O governo brasileiro diz que foram oferecidos alguns horários para Zelensky que, assim como Lula, participou de parte do evento como convidado. O encontro, contudo, não ocorreu.

Lula tem sido criticado por adotar uma visão que seria pró-Rússia. Na cúpula do G20, realizada na Índia na semana passada, Lula disse que pretende convidar o líder russo, Vladimir Putin, para participar de encontro do grupo no Brasil, que assume a presidência do G-20, em novembro do ano que vem.

Também na comitiva do governo brasileiro que está em Nova York, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse que terá como objetivo esta semana oferecer oportunidades de negócios a investidores estrangeiros baseadas em energia limpa e um possível pacote legislativo semelhante ao Inflation Reduction Act (IRA) dos Estados Unidos.

O ministro também cumpre uma agenda ligada à Semana do Clima de Nova York. Em uma conversa com jornalistas, Haddad disse que está empenhado em vender a transformação energética brasileira. “Acredito que esta é a grande oportunidade do Brasil se reindustralizar.”

Ele também afirmou que vê um caminho para uma versão brasileira do IRA. “Guardadas as devidas diferenças, porque o Brasil não tem condições de fazer um grande programa de subsídios.”

Haddad também disse estar otimista para as discussões bilaterais com os Estados Unidos nesta semana, e afirmou que além do evento de Lula com Joe Biden, na quarta-feira (20), terá uma reunião específica para assuntos restritos aos dois países.

Em Nova York, o governo brasileiro fez um road show para lançar títulos que financiem não só projetos de energia renovável mas também atraiam investimentos na produção industrial com práticas sustentáveis. Segundo Haddad, foram ao todo 36 reuniões com 60 fundos de investimento, organizadas pelo futuro secretário adjunto do plano de transição ecológica da Fazenda, Rafael Dubeux.

Falando a jornalistas no caminho de uma reunião com empresários e investidores estrangeiros, a convite da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Haddad disse que o road show vendeu aos investidores não só as novas condições macroeconômicas do país, mas as vantagens competitivas em relação a outros países, como a matriz de eletricidade composta por 92% de fontes renováveis e o potencial do país de dobrar a produção de energia limpa nos próximos cinco anos. Após o road show, começa um período de silêncio em que o governo brasileiro não pode divulgar montantes ou datas. “O que posso dizer é que estamos preparados para lançar, mas agora cabe ao Tesouro fazer o anúncio formal do lançamento dos títulos.”

No evento organizado pela Fiesp, estiveram investidores como Larry Fink, da BlackRock, e empresários como Lee Raymond, CEO da Exxon. Segundo a Secretaria de Comunicação da Presidência, Lula, Haddad e o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, falaram das relações institucionais entre Executivo e o Congresso e a importância da reforma tributária. Os presentes também trataram de investimentos em infraestrutura e do potencial do país em transição energética.

Fonte: Valor Econômico
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