23 jan Embate por comando da Fiesp acirra-se e aliados de Josué buscam mantê-lo no cargo
Embate por comando da Fiesp acirra-se e aliados de Josué buscam mantê-lo no cargo
Grupo entende que tentativa de destituição significará um golpe.
A disputa entre o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Josué Gomes da Silva, e representantes de sindicatos da entidade que decidiram destituí-lo do cargo em uma conturbada assembleia, realizada no dia 16, acirrou-se e deverá ganhar novo tom nesta semana.
Em uma guerra de versões sobre o resultado das duas assembleias realizadas há uma semana, o embate tomou proporções maiores, com o grupo contrário a Josué tendo até mesmo entrado na sala da presidência da federação enquanto o empresário participava de reuniões em Brasília, na sexta-feira (20), a convite do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O conselheiro mais antigo da entidade, o vice-presidente Elias Miguel Haddad, de 95 anos, que assumiria o cargo na hipótese da saída de Josué, enviou circular aos funcionários, na sexta, informando que havia tomado posse da presidência em caráter interino. O informativo, assinado pelo 2 ºdiretor secretário, Ronaldo Rodrigues, afirmava que a decisão se baseou no estatuto da Fiesp, segundo o qual, em caso de destituição do presidente, o sucessor será definido pela diretoria, em até 30 dias, escolhendo um dos três vice-presidentes da entidade.
A possibilidade de judicialização voltou à mesa para uma parte dos diretores. Já outros acreditam que as ações precisarão ser enérgicas, mas que não necessariamente será preciso judicializar o caso. Ao saber da circular de Haddad, o advogado de Josué, Miguel Reale Junior, disse que o episódio revelou um ato de “assalto ao poder”.
Segundo fontes ouvidas pela reportagem, um grupo de sete pessoas, incluindo diretores e funcionários da federação, entrou na sala da presidência da entidade, na sexta-feira, e de lá foi enviado um e-mail para os associados informando sobre a troca da presidência. Na mensagem eletrônica, a que o Valor teve acesso, sequer foi usado papel timbrado.
A circular pegou de surpresa até mesmo diretores da Fiesp que apoiam a destituição de Josué, porque como a ata da assembleia do dia 16 não havia sido registrada em cartório até o final de sexta-feira, a posse de Haddad poderia ser juridicamente questionada. Os diretores que apoiam Josué dedicaram parte do fim de semana a estudar uma saída para solucionar a crise na Fiesp.
Logo depois de começarem a receber o e-mail, alguns diretores responderam imediatamente, afirmando que não reconheciam como legítima a troca de presidente. Em seguida, começou a circular um abaixo assinado dos membros do Conselho Superior de Economia da Fiesp, que vieram a público manifestar apoio à gestão de Josué Gomes.
“Repudiamos veementemente quaisquer tentativas de afastá-lo da presidência da entidade. Preferências políticas, uma vez que existem motivos minimamente fundados para destituição, não encontram respaldo nos estatutos da Fiesp”, segundo o documento assinado pelo grupo, que tem como membros André Lara Resende, Gabriel Galípolo e Armando Castelar Pinheiro.
Outro abaixo assinado, elaborado ainda na noite de sexta-feira, partiu do Conselho Jurídico da Fiesp, que apontou “alegações fúteis” na tentativa de deposição de Josué e foi subscrito por Arthur Badin, Leandro Chiarotino e Walfrido Warde. O conselho criativo da entidade prosseguiu com o movimento no fim de semana e a lista de assinaturas também reuniu o apoio de nomes como o do apresentador Luciano Huck, do presidente da Central Única das Favelas e militante antirracismo Preto Zezé e do ator Antonio Fagundes.
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