31 out Emprego com carteira assinada cresce mais do que o esperado
Emprego com carteira assinada cresce mais do que o esperado
Criação de vagas em setembro ocorre na maioria do setores e expectativa é de novos resultados positivos nos próximos dois meses.
O mercado de trabalho formal segue dando mostras de robustez, com criação de vagas maior do que o esperado em setembro. No mês passado, houve a abertura líquida de 247,8 mil postos com carteira assinada, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgados nesta quarta-feira pelo Ministério do Trabalho e Emprego.
O resultado ficou acima da mediana das projeções de 18 consultorias e instituições financeiras ouvidas pelo Valor Data, de abertura líquida de 225.080 vagas, com projeções variando entre 200 mil a 255 mil.
Com o resultado de setembro, o saldo acumulado no ano é de 1,98 milhão de vagas.
Quatro dos cinco setores da economia tiveram abertura líquida de postos formais de trabalho. O segmento de serviços foi destaque, com alta de 128,3 mil. Indústria geral (59,8 mil) comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas (44,6 mil) e construção civil (17 mil) também tiveram saldo positivo no mês. Somente agropecuária, produção florestal, pesca e aquicultura teve contração de vagas, com perda de 2 mil postos.
O Caged mostrou ainda que a geração de vagas ocorreu nas cinco regiões do país em setembro. O Sudeste adicionou 98,2 mil postos de trabalho com carteira assinada em setembro, seguido de Nordeste (77,1 mil), Sul (38,1 mil), Norte (15,6 mil) e Centro-Oeste (15,3 mil).
Rodolfo Margato, economista da XP Investimentos, destaca que as admissões totais permaneceram em níveis historicamente altos, com crescimento de 11,4% em relação ao mesmo mês de 2023. Ao mesmo tempo, os desligamentos também estão em patamar elevado, com avanço 10,3% na mesma comparação.
Os dados mostram ainda nova aceleração em relação ao mês anterior da contratação no setor privado após um resultado abaixo do esperado em agosto, diz o economista. Fazendo o ajuste pela sazonalidade, a corretora vê pequena aceleração na criação de vagas, de 120 mil em agosto para 125 mil em setembro. Na média móvel de três meses, esse indicador voltou a 135 mil.
“Mais uma vez, observamos crescimento disseminado entre os setores da economia brasileira, especialmente nas atividades chamadas mais cíclicas, como serviços que foi novamente protagonista, mas também no comércio, na indústria de transformação.”
“ Outubro e novembro devem manter o ritmo de contratação”
Dentro dos serviços, um segmento que se destacou foi o administrativo e de atividades complementares, como escritório, apoio administrativo e seleção de mão de obra, nota o economista da Tendências Consultoria Lucas Assis. “São funções que apresentam comportamento cíclico, crescem mais em períodos de atividade forte”, explica.
Em sua avaliação, além do bom desempenho da economia, contribui também para o avanço da formalização do mercado de trabalho questões mais estruturais, como o aumento de escolaridade da população economicamente ativa, novas tecnologias na intermediação e criação de vagas e também a reforma trabalhista, que reduziu o custo de contratação e criou novos tipos de vínculos. Os chamados empregos atípicos (como intermitentes, temporários e aprendizes) hoje são 11,6% dos 47 milhões de vínculos ativos, diz.
O comportamento do Caged sugere que o ano deve terminar com geração líquida de aproximadamente 1,9 milhão de vagas, diz Assis. “Outubro e novembro devem manter o ritmo de contratação, com algo perto de 150 mil por mês. Já dezembro deve registrar uma destruição líquida talvez acima de 400 mil postos”.
Para João Savignon, economista-chefe da Kinitro, o mercado de trabalho apertado deverá se manter como ponto de atenção para o Banco Central no monitoramento da inflação de serviços, “tema que eles seguem olhando de perto, assim como na avaliação do hiato do produto”.
Em comentário distribuído, a gestora projeta criação líquida 223 mil novas vagas formais em outubro. “Considerando a tendência atual, nossa expectativa é que podemos encerrar o ano com a criação de ao redor de 1,9 milhão de vagas” diz Savignon.
Na entrevista coletiva convocada para comentar os dados, o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, comemorou o resultado, mas afirmou que muita gente ainda procura emprego. Ele também aproveitou para reclamar do Banco Central, dizendo que a autoridade monetária precisa mudar sua forma de combater a inflação.
“Quem reclama disso [juros] não sou eu somente, são os empresários”, disse. “Dá a impressão que o BC escuta o sistema financeiro somente. O BC tem que mudar a forma de analisar essas coisas e orientar a sociedade”, completou o ministro.
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