Emprego formal segue em alta, mas com fôlego menor

Emprego formal segue em alta, mas com fôlego menor

Publicado em 27 de outubro de 2022

Expectativa dos economistas é desaceleração gradual do saldo de contratações até o início do próximo ano.

O mercado de trabalho formal seguiu trajetória de recuperação no mês de setembro, mas já com sinais de desaceleração na criação líquida de vagas na margem, em consonância com outros indicadores do terceiro trimestre e mais visível nos cálculos com ajuste sazonal. Para economistas ouvidos pelo Valor, a tendência até o início do ano que vem é de enfraquecimento gradual, ainda que saldos negativos não estejam no radar.

Os dados do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgados ontem pelo Ministério do Trabalho e Previdência mostram criação de 278.085 vagas de empregos com carteira assinada em setembro, ante saldo de 285.314 em agosto.

O resultado ficou acima da mediana das estimativas de 16 instituições financeiras e consultorias ouvidas pelo Valor Data, de abertura líquida de 260.500 vagas em setembro. As projeções iam de 220 mil a 300 mil. Em setembro, o Caged registrou 1.926.572 admissões e 1.648.487 demissões.

Para o ano, a projeção mediana do mercado é de abertura de 2,1 milhões de postos. O ministro do Trabalho, José Carlos Oliveira, disse que o resultado permite esperar que os empregos formais abertos cheguem a 3 milhões neste ano.

O resultado líquido de setembro foi pior que o registrado no mesmo mês de 2021, quando foram criadas 330.177 vagas. Em 2020, o Caged passou por mudanças metodológicas, e especialistas afirmam que não é adequado comparar os dados atuais com os da série histórica anterior.

César Garritano, economista da Renascença, aponta um processo de esfriamento das condições de emprego, apesar da alta. Em boletim divulgado ontem ele ressalta que, após ajuste sazonal, a criação de vagas formais desacelerou de 226,1 mil em agosto para 157,6 mil em setembro. Enquanto o total de demitidos trouxe leve taxa de variação negativa, com queda de 0,2% na comparação mensal, o total de admitidos apresentou recuo de 2% sob o mesmo critério. O total de postos criados em setembro, destaca, ficou abaixo tanto da média de 2022 – saldo positivo de 206,0 mil – quanto da média do quadrimestre encerrado em agosto – criação de 240,2 mil vagas.

Segundo o Novo Caged, houve abertura líquida de vagas formais de trabalho em todos os cinco setores da economia em setembro. Serviços puxaram o saldo, com criação líquida de 122.562 vagas, seguidos pelo comércio (57.974) e pela indústria geral (56.909).

A tendência observada ao longo do ano se mantém com serviços e indústria como os maiores geradores de postos de trabalho, disse o subsecretário de Estudos e Estatísticas do Trabalho, Felipe Pateo. Ele ressaltou que desde maio o mercado formal atingiu patamar sustentado na criação de vagas. Em 2021, os resultados refletiam a recuperação pós-pandemia.

Lucas Pinto, economista da Alphatree, destaca a pequena queda em termos reais do salário médio de admissão com carteira assinada em setembro, após recuperação em agosto. Embora ainda pontual, o dado pode indicar um menor “desespero” das empresas por mão de obra, embora a demanda ainda siga elevada no mercado formal.

O salário médio de admissão com carteira assinada ficou em R$ 1.931,13, com queda real de 0,64% em relação a agosto. Já o salário médio de demissão ficou em R$ 2.019,44, alta real de 1,47% em relação a agosto.

Fonte: Valor Econômico
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