Emprego no comércio sobe em 2021, mas não recupera patamar pré-pandemia, diz IBGE

Emprego no comércio sobe em 2021, mas não recupera patamar pré-pandemia, diz IBGE

Publicado em 4 de agosto de 2023

Levantamento aponta que 10.079.858 pessoas estavam empregadas em 2021, 3,2% sobre 2020; em 2019, o grupo era formado por 10.184.916 pessoas.

O número de empregados no comércio brasileiro subiu, mas ainda não retornou ao que era antes da pandemia. É o que mostrou nesta sexta-feira (4) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ao anunciar a edição de 2021 da Pesquisa Anual de Comércio (PAC). Pela ótica do levantamento, o número de pessoas empregadas no comércio voltou a superar os 10 milhões, e atingiu 10.079.858 em 2021. Esse montante é 3,2% acima de 2020, ano em que começou a pandemia; mas 1% abaixo de 2019, quando era de 10.184.916. Na prática, mais de 100 mil pessoas não voltaram ao mercado de trabalho varejista.

“O que vemos é uma recuperação em 2021 [no emprego do comércio] mas não o suficiente para recuperar o patamar pré-pandemia”, resumiu Marcelo Miranda Freire de Melo, pesquisador do IBGE.

Na evolução por grandes setores dentro do comércio nacional, o setor de veículos, peças e motocicletas foi o que mais amargou perda de trabalhadores entre 2019 e 2020. Em 2019, eram 906.115 mil trabalhadores nessa área. Em 2020 caiu para 827.041; e subiu levemente ante o ano anterior, para 833.063 em 2021. Isso representou aumento de 0,7% entre 2020 e 2021, mas recuo mais intenso, de 8,1%, na comparação entre 2019 e 2021, segundo o IBGE.

O comércio varejista, por sua vez, teve a segunda maior contribuição na perda de pessoal ocupado entre 2019 e 2021. Esse setor empregava 7.581.023 em 2019. Com a pandemia em 2020, que levou a uma série de restrições sanitárias e de funcionamento de lojas, como horário e capacidade de lotação, esse contingente desabou para 7.216.423. Em 2021 recuperou levemente, subindo para 7.413.175.

Ou seja: embora tenha crescido 2,7% na comparação com 2020, o comércio varejista ainda amargou recuo de 2,2% no pessoal ocupado em 2021, quando comparado ao que era antes da covid-19, em 2019. Esse é o segmento que mais emprega no comércio nacional.

Em contrapartida, o atacado mostrou altas de 6,5% e de 8% no pessoal ocupado em 2021, na comparação com os anos de 2020 e de 2019, detalhou o IBGE. Esse setor emprega menos do que o varejo, no entanto, e terminou 2021 com 1.833.620 empregados.

O IBGE fez uma análise em horizonte de longo prazo, entre 2012 e 2021, do emprego no setor. Nesse período, a atividade de hipermercados e supermercados se destacou como atividade com a maior fração de pessoas ocupadas, respondendo por 15% do total. Além disso, teve a maior variação absoluta entre 2012 e 2021, com acréscimo de 417,8 mil pessoas. Em termos percentuais, essa foi a segunda maior variação dentre as 22 atividades analisadas, com um ganho de 38,0%.

Em contrapartida, a atividade que mais perdeu em pessoal ocupado, tanto em termos absolutos como percentuais, foi a de comércio varejista de tecidos, vestuário, calçados e armarinho, com queda de 336,2 mil pessoas, o que representa redução de 25,3% em 10 anos até 2021.

Salário médio

O comércio pagou em média 1,9 salário mínimo por mês em 2021. As pessoas ocupadas no setor, em 2021, receberam em torno de R$ 277,2 bilhões em salários, retiradas e outras remunerações, de acordo com o instituto.

“O varejo é o que pagou menos no setor em média, em salário mínimo”, afirmou Melo. Ele detalhou que, por grandes setores, quem pagou o menor patamar de salário em 2021, no comércio nacional, foi o varejo. Esse segmento, que emprega cerca de 70% do comércio brasileiro, pagou em média 1,7 salário-mínimo por mês em 2021. As empresas dessa área empregavam em média sete pessoas, por companhia, no mesmo ano.

Em contrapartida quem melhor pagou, em média, no comércio foi o atacado, completou ele. O IBGE apurou média de 2,9 salários mínimos mensal nessa área, que empregou oito pessoas, em média, por empresa, em 2021.

Já o comércio de veículos automotores, peças e motocicletas pagou em média 2,2 salários mínimos mensais em 2021, e empregou em média seis pessoas por empresa.

O IBGE informou ainda que entre os diversos agrupamentos de atividades que compõem o setor de comércio, os três maiores salários pagos estão no setor de atacado, mantendo-se inalterado no ranking nos últimos 10 anos.

A atividade de comércio por atacado de combustíveis e lubrificantes continuou sendo a de maior salário médio, pagando 4,5 salários mínimos por trabalhador em 2021.

Comércio por atacado de máquinas, aparelhos e equipamentos, inclusive tecnologia da informação (TI) e comunicação vem em segundo, e registrou 4,3 salários mínimos em 2021. Comércio por atacado de produtos farmacêuticos, perfumaria, cosméticos e artigos médicos, ópticos e ortopédicos, por sua vez, pagou em média 4,0 salários mínimos por mês, em 2021.

Desconcentração regional

O comércio mostrou sinais de desconcentração regional, menos concentrada no Sudeste, em período de 10 anos até 2021.

Ao delimitar proporção das grandes regiões do país, na atividade do comércio nacional entre 2012 e 2021, os pesquisadores do IBGE informaram que o Sudeste perdeu participação nas principais variáveis do setor.

No período, a fatia do Sudeste em pessoal ocupado no comércio nacional caiu de 52% para 50,7%. Em salários, retiradas e outras remunerações, a participação do Sudeste diminuiu de 56,8% para 54,8%. Em receita bruta de revenda, a fatia dessa região recuou de 52,7% para 48,5%. Já em unidades locais de comércio, o porcentual originado do Sudeste decresceu de 49,6% para 47,2%.

Como exemplo, os pesquisadores do IBGE citaram o caso do Estado de São Paulo. Essa unidade da federação continua sendo a mais representativa entre as 27, e respondeu por 29,1% das receitas comerciais do Brasil, em 2021.

No entanto, nos últimos 10 anos, perdeu espaço, registrando queda de 3,3 ponto percentual nessa fatia de receita desde 2012. Foi a maior redução, nesse período comparativo, entre as 27 unidades da federação, informou o IBGE. Mesmo assim, São Paulo respondeu por 60% da atividade comercial do Sudeste em 2021, informou ainda o instituto.

Fonte: Valor Econômico
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