09 mar Emprego no país deve sentir impacto da guerra na Ucrânia
Emprego no país deve sentir impacto da guerra na Ucrânia
Empresariado não se sente confiante em abrir vagas com cenário externo e temor de inflação.
Os efeitos da guerra na Ucrânia podem piorar condições do mercado de trabalho brasileiro, alertaram ontem duas instituições, a Fundação Getulio Vargas e a consultoria IDados.
O Indicador Antecedente de Emprego (IAEmp) da FGV caiu 1,4 ponto em fevereiro, para 75,1 pontos. Com a queda, a quarta consecutiva, o indicador se posicionou no pior nível desde agosto de 2020 (74,8 pontos) – sendo que o resultado foi calculado antes da guerra entre Rússia e Ucrânia.
Para o economista da fundação e responsável pelo indicador, Rodolpho Tobler, os contextos interno e externo atuais não inspiram segurança, no momento, para o empresariado pensar em abertura de postos de trabalho. No entendimento dele, os empresários ficam mais cautelosos para abrir novas vagas quando não veem cenário de tranquilidade, na demanda interna e na economia como um todo, pontuou o especialista – o que não ocorre, no momento.
Já o pesquisador da consultoria IDados Tiago Cabral, em relatório sobre o mercado de trabalho no país, afirmou que “grandes incertezas pairam sobre a atividade econômica no Brasil e no mundo”, agravada pelo acirramento do conflito no Leste Europeu. Para ele, um conflito mais longo tende a levar a alta maior de preços, que prejudica o emprego.
No caso do indicador da FGV, Tobler comentou de maneira geral, independentemente do setor, os empresários não têm visto com bons olhos o andamento de ritmo da economia, nos últimos meses. Um cenário de juros mais elevados e inflação em alta no começo do ano tem impactado a evolução da demanda interna, visto que são fatores que inibem consumo – e os empresários percebem isso, notou o economista.
Agora, com o conflito no exterior, há perspectiva de novos aumentos de preços em derivados de commodities, que estão operando em alta no momento, de maneira geral, lembrou Tobler Ou seja: o conflito entre russos e ucranianos pode conduzir a novos aumentos de preços no Brasil, derrubando o consumo interno e diminuindo ritmo de negócios do empresariado – que não se sente, nessas condições, favorável à abertura de vagas, notou o técnico.
Caso haja mesmo um compasso de espera, por parte do empresariado, em abrir novos postos de trabalho tendo em vista o atual cenário incerto da economia brasileira, “aí mesmo que a renda [do trabalhador] não se recupera”, comentou o especialista da FGV. Com menor renda, e mais inflação causada pelo conflito no exterior, menos consumo interno – e, com isso, menor cadência na atividade econômica, detalhou o especialista.
“Qualquer perda de PIB que possamos ter com a guerra na Ucrânia vai se refletir no mercado de trabalho”, resumiu o especialista da fundação.
O mesmo alerta foi feito pelo pesquisador da consultoria IDados. “Caso se prolongue por mais meses, o conflito deve agravar ainda mais o quadro inflacionário para 2022, motivando altas mais intensas de Selic pelo Banco Central brasileiro. Com esse contexto, é possível que as perspectivas de atividade e emprego no Brasil sejam ainda mais prejudicadas em 2022, dependendo da concretização de cenários mais pessimistas de inflação e de juros”, escreveu o pesquisador, no relatório sobre mercado de trabalho.
O cenário atual da IDados prevê que o desemprego em dezembro de 2022 fique em 11%, apenas 0,1 ponto percentual abaixo da registrada em dezembro de 2021.
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