08 jul Emprego nos países ricos só deve se recuperar no fim de 2023, diz OCDE
Emprego nos países ricos só deve se recuperar no fim de 2023, diz OCDE
As economias avançadas têm cerca de 22 milhões de pessoas empregadas a menos do que antes da pandemia de covid-19, segundo a pesquisa da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que prevê que os mercados de trabalho não se recuperarão até o fim de 2022.
Os países ricos podem estar diante de um aumento sustentado do desemprego de longo prazo, alertou o relatório anual Perspectivas de Emprego, divulgado ontem pela OCDE. Isso ocorre porque os trabalhadores pouco qualificados, que tinham maior probabilidade de perder o emprego no início da pandemia, estão mal equipados para ingressar nos setores onde as contratações estão mais fortes.
Além disso, segundo o relatório, as empresas tendem a recontratar funcionários que ainda são beneficiados por de esquemas de auxílio de curto prazo antes de abrirem novos empregos em grande escala, o que cria o risco de surgimento de um fosso entre aqueles que continuaram a trabalhar e aqueles que perderam empregos e renda. Dos 22 milhões que continuam sem trabalho nos países da OCDE, 8 milhões estão desempregados e 14 milhões são classificados como economicamente inativos.
“Uma disparidade crescente pode se desenvolver entre aqueles que enfrentaram a crise com redução da jornada e curtos períodos de dispensa temporária e aqueles que se viram sem um emprego – cada vez mais distantes da força de trabalho, com seus direitos a benefícios a se esgotar e sob o risco de sofrerem cicatrizes de longo prazo”, avaliou a OCDE.
No fim de 2020, o número de pessoas desempregados há mais de seis meses era 60% superior ao dos níveis anteriores à pandemia nos países-membros da OCDE.
“No início da crise, os trabalhadores pouco qualificados tinham maior probabilidade de perder seus empregos. Os trabalhadores altamente qualificados tinham mais chances de ter a jornada reduzida”, disse Stefano Scarpetta, diretor de Emprego, Trabalho e Assuntos Sociais da OCDE.
Segundo a organização, muitos dos postos de trabalhos mais afetados pela pandemia já corriam o risco de serem substituídos pela automação antes da crise e agora podem desaparecer. O relatório constatou grandes quedas nas ofertas de empregos para secretárias na Austrália, para digitadores de dados no Canadá, e para agentes de viagens, digitadores e datilógrafos nos EUA. O documento apontou ainda uma demanda crescente por profissionais das áreas de serviços de saúde e energia verde nas economias ricas.
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