07 jul Empregos em hotéis e alimentação foram os mais afetados
Empregos em hotéis e alimentação foram os mais afetados
Os setores de alimentação e alojamento, construção e comércio foram os mais afetados pela pandemia de covid-19 nos últimos meses, segundo o Ipea.
Os setores de alimentação e alojamento, construção e comércio foram os mais afetados pela pandemia de covid-19 nos últimos meses, mostra levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgado ontem. No setor informal, o emprego doméstico está também entre os mais afetados.
Para chegar a essa conclusão, o estudo assinado por Carlos Henrique Corseuil, Lauro Ramos e Felipe Russo cruzou dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) e pedidos de seguro desemprego do governo federal, além da base de dados da Pnad Contínua, pesquisa do IBGE que acompanha o mercado de trabalho formal e informal.
Os pesquisadores relatam que as perdas de ocupações foram disseminadas, mas alguns ramos foram mais afetados do que outros. O documento mostra, por exemplo, que o saldo líquido de emprego formal no setor de alojamento e alimentação recuou 8,15% em abril deste ano em relação ao mesmo mês do ano anterior, a queda mais intensa entre as atividades.
“A redução das contratações teve maior relevância do que os desligamentos na maior parte dos setores. Mas isso foi diferente na atividade de alojamento e alimentação, que sofreu ajustes nas duas pontas: admissões e desligamentos”, disse Corseuil, técnico de Pesquisa e Planejamento da Diretoria de Estudos e Políticas Sociais (Disoc) do Ipea.
Ele lembrou que o setor de alojamento e alimentação foi mais duramente impactado porque necessita da presença física do cliente durante a pandemia. Desde o fim de março, decretos de isolamento social editados em São Paulo e no Rio, além de outras grandes cidades, determinaram o fechamento de hotéis, restaurantes e bares.
“Mesmo com restaurantes atuando por delivery, a demanda não foi a mesma de antes da pandemia. Com a quarentena, as famílias passaram a preparar alimentos dentro de casa, em vez de pedir entrega”, afirmou Corseuil.
No comércio, o saldo do emprego formal foi negativo em 242 mil postos em abril. Na construção, o saldo foi negativo em 70 mil. O estudo também calculou as perdas isoladas em abril com base na Pnad Contínua, que inclui o setor informal. As perdas foram, respectivamente, de 1,9 milhão e 1,4 milhão em relação a maio de 2019.
Corseuil afirmou que, além da redução de pessoal em grandes obras, o ramo de reformas de residência também foi afetado pelo isolamento social. “Houve desligamento em massa de trabalhadores informais no setor durante a pandemia”, acrescentou.
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