Empresa dos EUA vai cobrar de funcionário não vacinado

Empresa dos EUA vai cobrar de funcionário não vacinado

Publicado em 26 de agosto de 2021

O caso da Delta Air Lines é o mais recente de um crescente número de empresas anunciando políticas para incentivar a vacinação, seja impondo a obrigatoriedade ou de forma indireta.

A Delta Air Lines vai cobrar US$ 200 dos funcionários que optarem por não tomar a vacina contra a covid-19 a partir de 1º de novembro. Trata-se da primeira grande empresa dos EUA a anunciar uma pena para incentivar a vacinação entre seus trabalhadores.

O decisão de cobrar um adicional nas contribuições do funcionário não vacinado ao plano de saúde da companhia ocorre dois dias depois da agência reguladora de alimentos e medicamentos dos EUA (FDA) ter dado sua aprovação definitiva à vacina da Pfizer-BioNTech – que tinha a autorização para uso emergencial até então.

Em meio ao aumento nas infecções e hospitalizações provocadas pela variante delta da covid-19, as empresas americanas buscam elevar as taxas de vacinação entre seus funcionários. Em memorando interno, o CEO da Delta, Ed Bastian, disse que cada internação de funcionários com covid-19 custa em média US$ 40 mil à companhia.

“Esta sobretaxa será necessária para enfrentarmos o risco financeiro que a decisão de não se vacinar está criando para nossa companhia”, diz Bastian. “Nas últimas semanas, desde o surgimento da variante delta, todos os funcionários que foram hospitalizados com covid não estavam plenamente vacinados”, continuou, acrescentando que 75% dos quase 75 mil trabalhadores da companhia já estão vacinados.

O caso da Delta Air Lines é o mais recente de um crescente número de empresas anunciando políticas para estimular a vacinação, seja impondo a obrigatoriedade ou de forma indireta. Trata-se de uma marcada mudança na postura das empresas, que no início evitaram adotar regras mais rígidas com receio dos riscos legais envolvidos. Mas isso agora mudou, apontam especialistas.

“Dada a aprovação total da FDA à vacina da Pfizer, as fortes declarações [do presidente Joe Biden] pedindo as empresas que exijam que seus funcionários sejam vacinados e o aumento de novos casos de covid-19 nos EUA, provavelmente estamos em um ponto de inflexão para as empresas tomarem medidas mais rígidas para motivar os funcionários a se vacinarem”, disse Wade Symons, sócio da consultoria de recursos humanos Mercer. “Prevemos que mais empresas anunciarão a obrigatoriedade [da vacina] e cobranças relacionadas as vacinas nas próximas semanas.”

Segundo dados da Mercer, 25% das empresas americanas com 500 ou mais trabalhadores, cobram uma taxa adicional para o plano de saúde do funcionário fumante.

Chris Riggins, porta-voz do sindicato de pilotos da Delta, disse à agência Reuters que a entidade não pretende se opor à cobrança do adicional porque a medida não afeta o plano de saúde negociado com a companhia aérea para seus membros. Mas como a maioria dos pilotos da Delta não está coberta pelo plano negociado pelo sindicato, Riggins disse que esses pilotos verão um aumento em seus custos de saúde se decidirem não tomar a vacina.

Especialistas observam que a decisão da Delta de pressionar os trabalhadores a vacinar aumentando seus custos de saúde é uma abordagem mais facilmente defensável do que impor a obrigatoriedade da vacina aos relutantes.

“Acho que veremos mais empresas adotando esse tipo de política”, disse Laura Boudreau, professora da Columbia Business School. “É um raciocínio muito claro que as empresas podem usar para explicar esse tipo de política a seus funcionários: como acontece com opções como fumar, especialmente agora que a vacina foi totalmente aprovada pela FDA, é possível que o empregador diga que esses funcionários têm um custo ao manter um status de não vacinado. ”

Mas para alguns consultores de saúde, a cobrança de um adicional dificilmente será tão eficaz para convencer os relutantes a se vacinar quanto a obrigatoriedade. Até recentemente, muitas empresas vinham optando pela cautela para evitar perder funcionários em um momento de escassez de mão de obra. Porém, essa posição vem mudando rapidamente com um número cada vez maior de grandes empresas – como United Airlines, Amtrak e Goldman Sachs – anunciando que a vacina será obrigatória a todos os funcionários.

Fonte: Valor Econômico
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