Empresa investe em ‘varredura’ de terceiros

Empresa investe em ‘varredura’ de terceiros

Publicado em 6 de junho de 2023

Sistema de gestão promete auditar toda a documentação das empresas terceirizadas inseridas.

O episódio do resgate dos trabalhadores safristas em condição análoga à escravidão em fevereiro deste ano em alojamentos em Bento Gonçalves obrigou a Vinícola Salton a reavaliar todos seus contratos com prestadores de serviços terceirizados. De acordo com o diretor-presidente, Maurício Salton, foi criada uma classificação por níveis de risco e cerca de 45 contratos ficaram “congelados” durante o processo para posterior regularização de documentos.

A empresa também investiu em torno de R$ 700 mil na contratação de um Sistema de Gerenciamento de Terceiros – SG3. A plataforma promete auditar toda a documentação das empresas inseridas. “Esse sistema irá nos permitir fazer uma varredura de informações dos prestadores de serviços”, disse Salton.

Depois do episódio, a Salton redefiniu sua estrutura de compliance. O empresário reconhece que a “área era internalizada, não tinha um protagonismo”. Agora, afirmou, “é ligada diretamente a mim, na posição de diretor-presidente, até como prestação de contas para o conselho da empresa a nível societário”.

O advogado Ricardo Abel Guarnieri, sócio da Dupont Spiller & Fadanelli, assessoria jurídica da Salton, observou que ao terceirizar a contratação de mão de obra, a responsabilidade referente ao cumprimento de normas trabalhistas e a condições de alojamentos, locais para refeição e instalações sanitárias, por exemplo, é da empresa terceirizada.

No entanto, disse, é responsabilidade do contratante fiscalizar a terceirizada. “Eu tenho que eleger a empresa adequada para poder terceirizar o serviço e, além disso, questioná-la sobre quais as condições para receber os trabalhadores”, afirmou. Ele acrescentou que é importante criar procedimentos para demonstrar que foram tomadas “as diligências necessárias para evitar alguma situação inadequada”.

O produtor de uva Diego Tomasi, que tem uma propriedade de 32 hectares no distrito de Tuiuty, em Bento Gonçalves, é fornecedor da Salton, e participou do encontro “Ciclos & Vinhas: Semeando a Sustentabilidade”. Ele cultiva as parreiras em uma área de 7 hectares e colheu em torno de 250 toneladas de uva na última safra.

Para a colheita, ele costuma contar com cerca de oito a 10 trabalhadores safristas. “Até hoje, não foi registrado nenhum problema em relação a isso”, disse. Mesmo assim, Diego Tomasi afirmou considerar válido o reforço das normas vigentes para as contratações sazonais.

Fonte: Valor Econômico
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