Empresas devem garantir diversidade e respeito à mulher

Empresas devem garantir diversidade e respeito à mulher

Publicado em 9 de março de 2023

É preciso também criar mecanismos para que denúncias de violência no ambiente de trabalho sejam investigadas de maneira isenta e transparente, diz consultora.

As empresas devem implementar códigos de conduta com base na legislação de proteção à mulher e criar mecanismos para que denúncias de violência no ambiente de trabalho sejam investigadas de maneira isenta e transparente.

As práticas, defendidas pela consultora em diversidade, inclusão e sustentabilidade Viviana Santiago, são fundamentais para proteger as mulheres no mercado de trabalho e encorajar as vítimas a denunciarem casos de violação, segundo ela.

“Os códigos de ética dão uma mensagem muito clara sobre a avaliação do comportamento dos profissionais e isso produz uma mudança incrível”, diz Viviana Santiago. “Mas e quando o problema acontece? É preciso ter para onde relatar e saber que isso vai ser encarado com isenção, na defesa de direitos e do interesse da pessoa violentada, o que garante às mulheres o desejo de denunciar”, complementa a consultora.

Viviana participou da primeira live do Valor da semana temática “Mulheres”, uma parceria com o Valor Social, área de responsabilidade da Globo.

A transmissão ao vivo “Isso tem nome: reconhecendo e nomeando diferentes formas de violência” discutiu diferentes formas de violência contra a mulher e contou com a participação da jornalista da TV Globo Ana Carolina Raimundi, apresentadora do quadro Isso tem nome, do programa Fantástico.

No quadro do Fantástico, Ana Carolina Raimundi apresentou ao público diferentes formas de abusos e violência contra a mulher, como o etarismo – preconceito relacionado a estereótipos negativos relacionados a idade -, o mansplanning – usado para descrever o comportamento de um homem que pressupõe que entende mais sobre algo do que a mulher, mesmo que ela seja especialista no assunto – e o manterrupting – quando a fala de uma mulher é interrompida, uma vez ou frequentemente, por um homem.

“Eu e a minha equipe estávamos preparados para ouvir críticas e pessoas falando que era mimimi. Mas a gente procurou colocar essa coisa de uma forma tão explicada e detalhada que as pessoas se identificaram”, comentou a jornalista.

Assim como Viviana, Ana Carolina Raimndi destacou a importância de nomear comportamentos problemáticos para que as condutas misóginas e sexistas sejam debatidas e enfrentadas pela sociedade.

“A nossa ideia era apresentar ao grande público violências invisíveis que atravessam a mulher durante toda a existência e começam como incômodos. Se você não tem como chamar, aquele problema deixa de existir”, explica a jornalista.

Raimundi está em Londres, no Reino Unido, para apresentar o quadro Isso tem nome no Woman of the World, encontro internacional que discute os desafios de mulheres, meninas e pessoas não binárias.

No mercado de trabalho, Viviana Santiago destacou que os níveis de violação são diversos e vão desde atitudes sutis, como comentários sobre as vestimentas das profissionais e convites inadequados, até crimes de violência sexual no ambiente de trabalho.

Ativista de movimentos de mulheres negras, ela ressaltou que a diversidade deve ser uma preocupação na composição de quadros de liderança para que os ambientes se tornem mais inclusivos e seguros para diferentes perfis de funcionários.

“A gente é educado para pensar que as mulheres são todas iguais e isso é um equívoco. Além de estar em uma sociedade machista, a mulher negra ainda enfrenta desafios muito peculiares relacionados ao racismo. Então quando a gente tem na liderança pessoas que tiveram essa ou outras trajetórias, influencia na maneira como a gente escolhe produtos e pensa a estrutura da empresa”, diz.

Para celebrar o Dia Internacional da Mulher, o Valor realiza mais duas lives até sexta-feira. Nesta quinta-feira, 9, o tema é maternidade e mercado de trabalho e, na sexta, 10, um ambiente de trabalho mais seguro para as mulheres. A transmissão ao vivo começa ao meio-dia nas redes sociais YouTube, LinkedIn e Facebook do

Fonte: Valor Econômico
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