13 mar Empresas devem tornar ambiente seguro para mulheres
Empresas devem tornar ambiente seguro para mulheres
Formas de atingir esse objetivo passam pela consulta às próprias profissionais.
Para tornar o ambiente de trabalho seguro para as mulheres é preciso avançar nas conquistas realizadas nos últimos anos e também atentar para as diferentes realidades encaradas por cada uma delas dentro da empresa. E o processo passa bastante pela disponibilidade da direção das empresas para ouvir as trabalhadoras.
Esse foi o tema da última Live do Valor e Valor Social, o braço de responsabilidade social da Globo, para promover a semana do Dia Internacional da Mulher, na sexta-feira, 10. A conversa contou com a participação da educadora, palestrante e especialista em liderança Tatiana Brandão e da advogada e diretora de Compliance e Riscos do Grupo Globo, Carolina Bueno Junqueira.
Brandão lembrou que muito se avançou nas últimas décadas em relação a essa discussão no ambiente do trabalho, tanto em matéria de leis como na cultura empresarial. “O grande avanço que se tem hoje é poder conversar sobre isso entre nós, mulheres. Se tivéssemos fazendo isso alguns anos atrás, talvez fossem homens aqui, discutindo o assunto”, nota.
Por outro lado, para avançar nessa frente, é necessário que a direção das empresas entendam não apenas que políticas para mulheres beneficiam o todo, mas também olhar o acesso, inclusão e permanência, bem como recortes específico, como o racial, por exemplo.
“É importante também a participação e responsabilização dos líderes, começando pelo CEO da empresa”, comentou, lembrando que a ascensão de mais mulheres a cargos de comando é benéfico nesse sentido.
“Uma mulher consegue olhar para outra mulher e olhar suas necessidades. Muitas coisas podem ser mudadas, como banheiro feminino, uniformes com design para o corpo feminino e para grávidas, creches, benefícios… O ambiente seguro para mulher é amplo nesse sentido e passa pela liderança responsável”, complementou.
Junqueira ressaltou que é papel da área de Compliance definir e ter instrumentos para fazer valer a regra da empresa contra condutas abusivas, como assédio sexual, o que é conduta sexual inadequada. “A empresa precisa garantir que Compliance seja municiado de ferramentas para atuação, ter independência e recursos para fazer chegar qualquer denúncia à direção. Redes de escuta e compliance são fundamentais para garantir acolhimento e retenção. As pessoas precisam se sentir seguras de que se houver situação podem recorrer a alguém.”
Brandão ressaltou ainda que, no planejamento, é importante também ouvir delas o que pode ser feito. “Muitas decisões são tomadas sem nos consultar, sem saber se gostamos de tal forma, se vai ser bom para nós. Muitas vezes, tem uma rubrica na empresa que é direcionada cursos ou ações, mas é preciso incluir as mulheres nesse processo de decisão”, disse.
Por fim, é preciso trabalhar também permitir que as mudanças promovidas dentro da empresa possam se espraiar para fora, como para a cadeia de fornecedores, diz Junqueira. No caso do Grupo Globo, ela lembra que a agenda ESG facilita e dá contorno a esse compromisso, “até porque, para algumas dessas empresas você pode ser responsável legal, não apenas social”, diz.
“Os agentes que hoje detém capital, influência e acesso às instituições, precisam pensar como fazer com que essas transformações sejam para a sociedade. O #MeToo começou dentro de uma indústria e ecoou para toda a sociedade”, lembrou Junqueira, em referência ao movimento liderados por atrizes contra a cultura do assédio sexual em Hollywood.
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