15 jun Empresas dos EUA estimulam funcionários a se vacinarem
Empresas dos EUA estimulam funcionários a se vacinarem
Empresas evitam obrigar funcionários a se vacinarem, mas vacinados têm benefícios, como poder voltar antes ao trabalho presencial e não precisar usar máscara.
As empresas americanas estão aumentando a pressão para que os trabalhadores se vacinem – não necessariamente com medidas mandatórias, mas com fortes maneiras de persuasão.
Por meses, muitos empregadores tentaram convencer seus funcionários a se vacinar contra a covid-19. As empresas acenaram com dinheiro, folgas e outros prêmios para estimular a vacinação. Executivos fizeram apelos em reuniões e em memorandos internos.
Agora, parte desses esforços está assumindo um tom mais assertivo e premente. Embora a maioria dos empregadores não exijam que seus funcionários tomem a vacina, muitos estão pedindo aos trabalhadores que notifiquem seu status de vacinação ou estão implementando políticas que restringem as atividades de trabalhadores não vacinados.
Ao contrário do esforço inicial que se concentrou mais em fazer com que trabalhadores de linhas de frente, de hospitais, do varejo e de companhias aéreas se vacinassem, a investida atual afeta mais profissionais de bancos, escritórios de advocacia e similares. Companhias dizem que querem ter a garantia de que a maioria de seus trabalhadores estará vacinada antes de voltar para o escritório.
O Goldman Sachs determinou na semana passada que seus funcionários divulgassem em um portal interno se tinham se vacinado. O banco, que não obriga o trabalhador a se vacinar, disse que os funcionários plenamente vacinados que registraram sua situação poderão trabalhar sem máscara nos escritórios. Quem não se vacinou ainda terá de usar máscara todo o tempo, a não ser em sua mesa de trabalho. Outros bancos, como o Morgan Stanley e o Wells Fargo, estão pedindo aos funcionários que registrem voluntariamente seu status de vacinação.
A possibilidade ou não de os funcionários terem se vacinado pode determinar quando eles poderão voltar a ter acesso aos escritórios e aos campus da empresa, em muitas companhias. A gigante da tecnologia Salesforce está convidando trabalhadores totalmente vacinados que divulgaram sua situação a voltarem aos escritórios em lugares como São Francisco e Nova York. A Salesforce evitou emitir ordem obrigatória de vacinação, embora os executivos tenham passado os últimos meses estimulando pessoas a serem vacinadas. “Não estamos fazendo cerimônia nessa questão”, disse Brent Hyder, diretor de pessoal da Salesforce.
As empresas estão conseguindo pretexto para ampliar a pressão a partir da nova diretriz de um órgão federal americano, que disse que os empregadores americanos podem exigir de seus funcionários a vacina contra a covid-19 para eles retornem ao local de trabalho, embora tenham de fornecer acomodações para os não vacinados devido a motivos ligados à incapacidade física ou convicção religiosa.
Mesmo assim, alguns empregadores têm encontrado resistência. A rede hospitalar Houston Methodist suspendeu recentemente 178 funcionários que não cumpriram o prazo dado pelo hospital para estarem plenamente vacinados até o começo de junho, segundo e-mail interno. Esses funcionários estão sujeitos à rescisão de contrato se não respeitarem a determinação, segundo a direção do hospital.
Um grupo de mais de 100 funcionários do Houston Methodist abriu recentemente uma ação para contestar a ordem de vacinação. Eles argumentam que a rede hospitalar “está obrigando seus empregados a serem ‘cobaias’ humanas como condição para manter o emprego”. Um juiz federal rejeitou o processo no sábado.
A direção do hospital, que diz que cerca de 25 mil dos quase 26 mil funcionários da rede estão vacinados. “Como a primeira rede hospitalar a tornar obrigatória a vacinação contra covid-19, estávamos preparados para isso”, disse seu executivo-chefe, Marc L. Boom, em e-mail aos funcionários. “As críticas são às vezes o preço que pagamos pela medicina de ponta.”
Em geral, as empresas estão exercendo seu direito legal ao perguntar aos funcionários se eles foram vacinados, dizem advogados trabalhistas, e os empregadores estão usando uma série de instrumentos para fazer isso.
Uma série de empresas tem adotado como regra a palavra do funcionário, sem verificação. Na Massachusetts Mutual Life Insurance, funcionários vacinados começaram a voltar para a sede da empresa para participar de reuniões presenciais caso a caso, e podem tirar suas máscaras, disse o executivo-chefe, Roger Crandall. A empresa pretende abrir alguns escritórios de forma voluntária para funcionários totalmente vacinados ainda neste mês. Uma volta de maior escala está planejada para o período setembro-dezembro.
Os executivos discutiram se deveriam ou não pedir às pessoas que enviassem provas de vacinação, disse Crandall, mas decidiram contra esse método, ao sentir que era possível confiar que os funcionários operariam dentro das diretrizes de saúde e das políticas da empresa. “Tratamos as pessoas como adultos”, disse ele.
O escritório de advocacia Lockridge Grindal Nauen de Minneapolis determinou em março que seu quadro de 100 funcionários se vacinasse, a não ser que fossem isentados por motivos médicos ou religiosos. Não foi solicitado aos funcionários que fornecessem provas da vacinação, e sim que notificassem o diretor de recursos humanos quando estivessem totalmente vacinados para ajudar a empresa definir quando poderia reabrir seus escritórios ou marcar mais reuniões presenciais, disse uma das sócias Susan E. Ellingstad. Segundo ela, não houve resistência e todos os funcionários atenderam ao pedido.
“Nunca vamos acabar com isso [a pandemia] enquanto não tivermos um número suficiente de pessoas vacinadas”, disse Elligstad. “Os empregadores têm uma papel a desempenhar nisso.”
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