03 ago Empresas e governos nos EUA começam a forçar a vacinação
Empresas e governos nos EUA começam a forçar a vacinação
Com os novos casos de covid-19 subindo acima de 100 mil pela primeira vez desde início de fevereiro nos EUA, impulsionados pela variante delta, também um número crescente de empresas e governos locais estão retomando o uso obrigatório de máscaras.
Empresas e governos locais nos EUA estão perdendo a paciência com os funcionários não vacinados. Após meses de campanha, bonificações e outros incentivos para encorajar os relutantes a tomarem a vacina contra a covid-19, agora, um número crescente de empresas e governos locais estão impondo a obrigatoriedade da vacina aos seus funcionários, com risco de demissão aos que se recusarem.
Além disso, com os novos casos de covid-19 subindo acima de 100 mil pela primeira vez desde início de fevereiro nos EUA, impulsionados pela variante delta, mais infecciosa, um número crescente de empresas e governos locais estão retomando o uso obrigatório de máscaras. Os governos de San Francisco e Louisiana reintroduziram as máscaras em espaços públicos fechados. As varejistas Target e Home Depot anunciaram que exigirão que seus funcionários usem máscaras e recomendarão o mesmo a seus clientes.
Entre os que estão impondo a vacinação aos funcionários estão o governo federal, os Estados da Califórnia e de Nova York, as gigantes tecnológicas Google e Facebook, a Walt Disney e a National Football League (NFL, liga de futebol americano). Hospitais, universidades, restaurantes, bares e outros locais de entretenimento também começaram a exigir a vacina.
Ontem, o governo de Nova Jersey ordenou que os funcionários públicos de hospitais, asilos e presídios estejam plenamente vacinados até 7 de setembro ou terão de se submeter a testes regulares. No Estado de Nova York, a Autoridade de Transportes Metropolitano emitiu a mesma ordem aos seus funcionários. O mesmo vale para os 10 mil funcionários públicos da cidade de Denver, no Colorado.
Mas as novas medidas não deverão afetar muitos dos milhões de americanos que ainda não se vacinaram. Muitas das empresas que estão exigindo a vacina possuem trabalhadores de escritório que em grande parte já foram vacinados e relutam em trabalhar com aqueles que não foram.
Por outro lado, grandes empresas que dependem de trabalhadores de chão de fábrica e baixa renda – do setor de alimentos ou de empórios, supermercados e outras redes de lojas – evitam tornar a vacina compulsória por temer perder funcionários e agravar o problema de falta de mão-de-obra.
A Tyson Foods, por exemplo, disse que metade de sua força de trabalho nos EUA – 56 mil pessoas – foi vacinada depois de realizar mais de 100 eventos de vacinação desde fevereiro. Mas a companhia disse que não pretende obrigar a outra metade a se vacinar.
Walmart e Amazon, os dois maiores empregadores do setor privado nos EUA, também optaram por não exigir a vacina para seus funcionários. As duas empresas continuam apelando para estratégias como bonificações e acesso in loco à vacina. Mas o Walmart disse que todos os funcionários de sua sede terão de ser vacinados até 4 de outubro.
O maior precedente até agora veio do governo federal, o maior empregador do país. O presidente Joe Biden anunciou na semana passada que todos os servidores federais e empreiteiros terão de ser vacinados ou serão obrigados a realizar testes semanais de covid-19, sob a pena da perda de privilégios como viagens oficiais.
O governo federal disse que cobrirá os custos dos testes semanais. Quanto aos demais empregadores, o seguro poderá pagar essas testagens em alguns locais de trabalho, mas em outros não.
A decisão de Biden poderá encorajar outras empresas ao sinalizar que terão uma sólida base legal para impor regras parecidas, segundo Brian Kropp, diretor de pesquisas da prática de recursos humanos da consultoria Gartner.
Mas Kropp afirma que algumas empresas enfrentam dificuldades que vão além da legitimidade, como a resistência às vacinas em muitos Estados onde operam.
Varejistas como o Walmart poderão ter dificuldades para justificar a exigência da vacina para seus funcionários, ao mesmo tempo em que continuarão permitindo a entrada em suas lojas de consumidores não vacinados, acrescenta Kropp. Em sua maioria, as lojas vêm evitando a exigência da vacina para seus clientes por temerem afugentá-los e por causa da dificuldade de conferir sua situação.
Pesquisas da Gartner mostram que menos de 10% dos patrões disseram que pretendem exigir que todos os funcionários se vacinem. Mas uma mudança está se dando em relação à estabilização das taxas de vacinação e com a preocupação com a disseminação da variante delta, mais contagiosa. Até ontem, 70% dos americanos adultos havia tomado pelo menos uma dose, segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês).
O Union Square Hospitality Group, grupo de restaurantes e bares da cidade de Nova York, está exigindo que os funcionários sejam vacinados até 7 de setembro.
Alguns patrões estão chegando à conclusão de que exigir a vacina é mais simples do que tentar definir regras diferentes sobre máscaras e distanciamento social para o pequeno número de funcionários não vacinados.
Mais hospitais e casas de repouso estão exigindo a vacina. Até agora, essas ordens têm sobrevivido a ações legais. Mais de 150 funcionários de uma rede hospitalar de Houston que se recusaram a tomar a vacina foram demitidos ou afastados, depois que um juiz negou uma ação dos funcionários, contestando a obrigatoriedade. (Com agências internacionais)
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