Empresas monitoram políticas de equidade

Empresas monitoram políticas de equidade

Publicado em 31 de março de 2023

As ações ligadas a recrutamento e seleção para aumentar a diversidade enfrentam novos desafios nas empresas. A ideia é acelerar o uso de mecanismos de entrada que facilitem a captação de talentos qualificados. Segundo a pesquisa, a avaliação de currículos sem identificação de gênero, considerada pelo mercado como uma das mais inovadoras para alavancar a inclusão – marcou 23% de participação em 2022, uma diminuição de dez pontos percentuais ante 2021 (33%).

Já as normas de participação mínima de mulheres nas contratações ou a existência de metas claras de paridade estão presentes em apenas quatro a cada dez companhias (37%). Por outro lado, atividades de monitoramento da proporção de homens e mulheres admitidos foram de 75% para 85% no mesmo período.

Na Avon, marca do grupo Natura &Co, um dos compromissos para promover um ambiente de trabalho inclusivo é garantir que, pelo menos, 50% dos finalistas dos processos de seleção, em qualquer nível hierárquico, sejam mulheres, afirma Mariana Talarico, diretora de desenvolvimento organizacional e cultura da Natura &Co América Latina.

“Também realizamos auditorias nas avaliações dos colaboradores para analisar se há disparidade nas promoções.” A Natura &Co tem 18 mil funcionários na América Latina, dos quais 70% mulheres – eram 60% em 2021. “Já alcançamos as metas de equidade na liderança. Atualmente, 52% dos cargos de comando são de gestoras [diretoras ou acima].”

Talarico lembra que uma campanha de caráter educativo pretende conscientizar as lideranças da Avon sobre a importância de contratar e reter funcionárias mães e grávidas. Uma das frentes dessa iniciativa é o programa “Nascer bem”, voltado para o apoio e orientação de famílias durante gestações, adoções e no retorno aos expedientes, com berçários, cursos de gestantes e de paternidade responsável, além de creche e sala para amamentação.

No Trench Rossi Watanabe, um dos maiores escritórios de advocacia do país – com 402 funcionários, sendo 61% mulheres – as políticas de seleção e retenção são sempre revistas, de acordo com Anna Mello, managing partner da banca no Rio de Janeiro. “A partir de abril, iniciaremos a atualização do treinamento para técnicas de entrevistas com perguntas que avaliem competências e habilidades, excluindo vieses inconscientes, principalmente os relacionados à maternidade”, afirma a advogada, lembrando que o grupo tem associadas que foram promovidas a sócias durante períodos de gravidez. “Cinquenta e um por cento dos nossos postos de decisão são conduzidos por executivas.”

Mello diz que um dos grandes desafios para ter mais mulheres nas equipes é saber como refinar os processos de captação de talentos. “Muitas profissionais, por conta de [más] experiências anteriores, precisam ser convencidas de que o discurso apresentado nas nossas entrevistas de entrada acontece na prática”, afirma. “Hoje, nos orgulhamos dos nossos números [de igualdade], mas estamos alertas para que os times continuem se desenvolvendo.”

De acordo com a executiva, a adesão das funcionárias a programas de treinamento chega a 91%, enquanto o investimento anual em ações de recursos humanos corresponde a 3,4% do faturamento da companhia.

Na Diageo, multinacional do segmento de bebidas, ter uma executiva na presidência da operação brasileira ajuda a escalar iniciativas de recrutamento inclusivo, segundo Maria Gabriela Herrera, diretora de recursos humanos da companhia no país. O posto máximo é ocupado por Paula Lindenberg, ex-presidente para Reino Unido, Irlanda e Espanha do grupo cervejeiro AB InBev. “No Brasil, mais de 50% das cadeiras de diretoria e vice-presidência da Diageo são de mulheres”, diz Herrera.

Na Ingredion, fornecedora de soluções em ingredientes para as indústrias de alimentos, bebidas e beleza, com dois mil funcionários no Brasil, a presidência também está nas mãos de uma mulher. Guadalupe Franzosi, ex- DuPont, está desde 2020 na função, que acumula como sponsor de diversidade, equidade e inclusão para a marca na América do Sul.

“Todos saem ganhando quando conseguimos promover um ambiente diverso”, afirma Viviane Gaspari, vice-presidente de RH da Ingredion para as Américas.

Fonte: Valor Econômico
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