Empresas nos EUA começam a demitir devido à crise

Empresas nos EUA começam a demitir devido à crise

Publicado em 19 de março de 2020

Companhias que vão de operadores de restaurante a prestadores de serviços de bufê para casamentos começaram a dispensar trabalhadores com a redução de suas atividades.

Empresas americanas já começaram a demitir trabalhadores em resposta ao impacto do novo coronavírus na economia do país. A Associação de Viagens dos EUA estima que a pandemia poderá levar à perda de 4,6 milhões de empregos até maio só neste segmento. Em reunião com senadores republicanos nesta semana, o secretário do Tesouro americano, Steven Mnuchin, alertou que a taxa de desemprego poderá subir a 20% sem um substancial pacote de estímulo.

O presidente Donald Trump sancionou ontem à noite um primeiro pacote de ajuda aprovado pelo Congresso para limitar os danos provocados pela pandemia por meio de testes gratuitos, licenças médicas remuneradas e expansão dos gastos com a rede de segurança, como seguro-desemprego.

A sanção ocorreu horas depois do Senado ter aprovado, por 90 a 8 votos, o pacote elaborado pela oposição democrata na Câmara. A Casa Branca e o republicanos discutem um pacote de ajuda adicional da ordem de US$ 1 trilhão.

Por causa do impacto da pandemia nos negócios, companhias que vão de operadores de restaurante a prestadores de serviços de bufê para casamentos começaram a dispensar trabalhadores com a redução de suas atividades. Muitas empresas vinham agindo com cautela, concedendo férias coletivas ou reduzindo a jornada. Mas, segundo economistas, para muitas delas a demissão dos funcionários será o próximo passo.

Mais de 3.600 pessoas, a maioria dos setores de entretenimento e lazer, foram demitidas nos EUA por causa da pandemia, de acordo com novos dados divulgados ontem pela Challenger, Gray & Christmas, uma empresa de recolocação de pessoal. Essa conta não inclui cortes de empregos em bares e restaurantes em mais de uma dúzia de Estados e algumas cidades onde há restrições para operar.

No Texas, 60 funcionários do festival South by Southwest – que foi cancelado – foram demitidos, segundo documento apresentado às autoridades estaduais. Ryan Choura, proprietário da empresa de organização de eventos que leva seu nome, na área de Los Angeles, disse que passou quase 140 funcionários de período integral para meio período, pois clientes cancelaram ou adiaram eventos, como o Festival de Música e Artes Coachella Valley. Outros funcionários foram demitidos.

“Vamos ver um aumento maciço nas demissões”, disse David Kelly, estrategista-chefe global da unidade de gestão de ativos do JPMorgan Chase.

Unite Here, sindicato que representa mais de 300 mil trabalhadores dos setores de hotéis, jogos, serviços de alimentação, manufatura, têxtil, lavanderia, transportes e aeroportos nos EUA e no Canadá, previa ontem que 80% a 90% desses trabalhadores serão demitidos.

Pessoas que perderam o emprego estão pedindo auxílio-desemprego, o que em alguns Estados resultou em uma explosão de requerimentos. O Kentucky, que tinha uma média de 2.000 pedidos por semana, recebeu 9.000 na terça-feira. Sites estaduais que administram esse tipo de benefício em Nova York e Oregon travaram por causa do aumento nos acessos.

As reduções nas jornadas e cortes ocorrem num cenário em que 40% dos americanos dizem que teriam dificuldade para cobrir um gasto emergencial de US$ 400 e precisariam pegar dinheiro emprestado ou usar cartão de crédito, segundo pesquisa do Fed (o banco central dos EUA) de 2018.

Isso significa que a redução de turnos no lugar de demissões ainda pode parecer uma perda de emprego para os trabalhadores, diz Daniel Schneider, professor assistente de Sociologia da Universidade da Califórnia, Berkeley.

O Instituto de Política Econômica previu na terça-feira que 3 milhões de empregos serão perdidos nos EUA até o fim do semestre.

Também são esperadas demissões no setor de energia com a queda ontem do preço do petróleo WTI para US$ 24,40 por barril, seu menor nível em mais de 17 anos. A empresa de serviços de exploração de petróleo Halliburton colocará em licença obrigatória 3.500 funcionários em Houston.

A Marriott International informou na terça-feira que dará férias coletivas a dezenas de milhares de funcionários, com o fechamento de hotéis em todo o mundo. Na terça-feira, executivos do setor de turismo foram à Casa Branca discutir um pacote de ajuda de US$ 250 bilhões, sendo US$ 150 bilhões em ajuda direta para os hotéis e US$ 100 bilhões para as empresas de viagens, incluindo centros de convenções.

No castigado setor aéreo. American Airlines e Delta Air Lines pediram aos trabalhadores que tirassem licenças não-remuneradas. A Norwegian Air Shuttle definiu planos de demissão temporária para cerca de 7.300 trabalhadores.

Algumas empresas, no entanto, estão contratando, entre elas as redes de supermercados que tentam atender à demanda. A Amazon planeja contratar mais 100 mil funcionários nos EUA, com a explosão das compras via comércio eletrônico. Também aumentou os salários em US$ 2 para cada hora trabalhada até abril, tanto no mercado doméstico como no Canadá. Mas para muitas empresas e funcionários, o futuro é sombrio.

Fonte: Valor Econômico
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