10 mar Empresas precisam ouvir mulheres para mantê-las no mercado de trabalho
Empresas precisam ouvir mulheres para mantê-las no mercado de trabalho
A valorização do público feminino e da maternidade também passa por aumentar a presença em cargos de liderança, diz a jornalista Gabriela Lian.
As empresas precisam escutar mais as mulheres para que mães tenham maior presença no mercado de trabalho. Quem afirma é a psicanalista e escritora Elisama Santos, para quem as demandas de flexibilidade no ambiente corporativo só podem ser atendidas se as mulheres foram consultadas.
“Quem você tem consultado dentro da empresa para gerenciar os horários dos funcionários? Outros homens que pensam como você para definir a jornada de mulheres? É preciso escutá-las. Não existe uma mulher universal. Cada uma de nós é diferente”, afirmou Elisama, que também é apresentadora do SAC das emoções, no canal GNT.
A valorização da mulher e da maternidade também passa por aumentar a presença feminina em cargos de liderança, segundo a jornalista Gabriela Lian, repórter da TV Globo nos programas da manhã: Encontro, Mais Você, É De Casa e Bem Estar.
“Para que, como líderes, elas possam ajudar as outras mulheres e mães da equipe nesse desafio diário [de equilibrar o cuidado com os filhos e o trabalho]”, afirmou.
Gabriela e Elisama participaram nesta quinta-feira da segunda live do Valor da semana temática pelo Dia Internacional das Mulheres, uma parceria com o Valor Social, área de responsabilidade da Globo.
Na sexta-feira, o tema de debate é “ambientes de trabalho seguros para as mulheres”. Na quarta, a conversa foi sobre o reconhecimento de diferentes formas de violência contra a mulher.
Segundo Elisama, um mercado de trabalho seguro para as mulheres passa por humanizar as relações e normalizar as mudanças e o período de adaptação depois do nascimento de uma criança. “É um luto. Morre a mulher que existia antes. Isso não é ruim. Só preciso descobrir o que ficou agora”, diz.
As empresas, diz a especialista, não trabalham com as pessoas como seres humanos cíclicos. “A natureza e as pessoas são cíclicas. Fazemos parte da mesma natureza das árvores que tem as folhas caídas, depois as folhas crescem e ficam verdinhas”, diz. “A empresa quer as pessoas floridas 100% do tempo. E isso é cruel porque ninguém consegue dar esse tipo de resultado o tempo inteiro”, aponta.
Segundo uma pesquisa realizada pela Fundação Getulio Vargas, metade das mulheres que têm filhos perde o emprego em até dois anos depois da licença-maternidade.
Elisama também reforçou a importância de se tecer redes de apoio e de divisão das tarefas para tirar a sobrecarga de trabalho das mulheres. A saída, segundo ela, é coletivo e passa por reconhecer que “não dar conta” de todas as atividades não está relacionado ao valor pessoal de uma pessoa.
“Manter uma mulher ocupada o tempo inteiro é uma estratégia social para as mulheres continuarem na função do cuidado. As tarefas da casa precisam ser de todos que moram na casa”, afirma Elisama.
Ela acrescenta que as mulheres também não podem ser responsáveis pela atitude do outro de ajudar nas tarefas domésticas e com os filhos. “Sempre falo que gerente é um cargo e ganha mais, inclusive, porque dá um trabalho danado. Gerenciar e executar é impossível.”
Para a jornalista Gabriela Lian, o papel de heroína é “muito confortável para os outros continuarem assistindo ao espetáculo”.
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