Empresas que buscam aumentar felicidade de funcionários têm bons resultados

Empresas que buscam aumentar felicidade de funcionários têm bons resultados

Publicado em 1 de março de 2023

Empresas recorrem a cursos e consultorias especializadas para promover saúde e o bem estar mental de seus empregados.

Em 2023, as empresas não devem apenas parecer bons lugares para se trabalhar, precisam ter bons ambientes. Afinal, não faltam hoje sites onde funcionários e ex-funcionários avaliam as organizações, e sem que seja preciso se identificar, apontam mazelas e benefícios em se trabalhar em determinada companhia. “Até por conta dessa exposição as empresas buscam cada vez mais mudar a cultura. E cresce a demanda por treinamentos que preparem o alto escalão para trabalharem com mais diversidade”, afirma Thayanie Ujino, sócia da consultoria de RH Fesa Group.

Diversidade por si só não garante, mas ajuda a tornar um ambiente melhor, de acordo com Adriane Reis de Araújo, coordenadora nacional de Promoção da Igualdade de Oportunidades e Eliminação da Discriminação no Trabalho do Ministério Público do Trabalho. “Empresas com presença feminina na liderança estão menos sujeitas a à misoginia ou piadas machistas”.

Para melhorar o clima organizacional, as empresas já vêm, há um tempo, criando cargos de promotores de felicidade e bem-estar, chamados de Chief Happiness Officer (CHO). “Ainda há um certo preconceito porque as pessoas desconhecem que isso é uma ciência”, diz o consultor de felicidade, Vinicius Kitahara que tem empresas como Google, Adidas e Suzano, como clientes.

A Faber-Castell se apoia nessa ciência para promover um ambiente saudável entre seus 2,4 mil empregados. De acordo com o diretor de RH e Sustentabilidade, Miguel Feres, é adotada a metodologia da entropia, que adapta a Pirâmide de Maslow (criada pelo psicólogo norte-americano Abraham Maslow, onde estão listadas as prioridades dos seres humanos) com as motivações que levam as pessoas a suprir essas necessidades (desenvolvida pelo escritor britânico Richard Barrett). A combinação resulta em um índice, e quanto maior ele for, menos saudável é o ambiente. “Quando começamos o mapeamento da nossa cultura, em 2012, estávamos num ambiente disfuncional. O índice era de 29%. No último levantamento, que fizemos em 2022, o índice era de 9%, o que significa que estamos operando em um ambiente plenamente saudável”, resume Marcelo Tabacchi, CEO da Faber-Castell no Brasil. Isso também pode ser traduzido em menor rotatividade. “Na fábrica de Manaus chegamos a ter entre 10% e 15% de rotatividade. Hoje não passa de 1%”, acrescenta Feres.

“Ter uma liderança humanizada não quer dizer que você seja condescendente com a má performance. É preciso entregar resultado. Mas não a qualquer custo”, diz Marcelo Bacci, diretor financeiro da Suzano, que participou de treinamentos ministrados por Kitahara. Bacci diz que passou a se preocupar mais com a qualidade de vida de sua equipe, de 400 pessoas. Hoje promove reuniões para saber se está tudo bem e dá feedbacks com mais frequência. “As pessoas se sentem mais valorizadas”.

Fonte: Valor Econômico
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