Entidade pede investigação de defensor que processou Magalu por racismo

Entidade pede investigação de defensor que processou Magalu por racismo

Publicado em 13 de outubro de 2020

Em notícia de fato enviada à Polícia Federal do Distrito Federal, o Instituto de Advocacia Racial e Ambiental (Iara) pediu a abertura de inquérito contra o defensor público Jovino Bento Junior, que ajuizou uma ação civil pública pedindo intervenção em programa de trainee de uma empresa privada.

Na segunda-feira (5/10), o defensor pediu uma multa de R$ 10 milhões contra o Magazine Luiza por causa do programa de trainees exclusivo para negros. Segundo ele, a iniciativa discrimina milhões de trabalhadores brancos e de outras etnias. A iniciativa rendeu uma reprimenda da própria Defensoria Pública da União, que afirmou, em nota, defender a política de cotas.

Para o instituto, a ação não tem “elementos idôneos a caracterizar a justa da causa da ação, que sequer é instruída por elementos probatórios mínimos”, servindo como justificativa jurídica frágil para a defesa do conceito de “racismo reverso”.

A entidade cita, então, artigo de Igor Tamasauskas e Pierpaolo Bottini publicado na ConJur, no qualafirmam que “essa ação civil pública contraria frontalmente a inspiração daqueles que procuraram defender a legitimação da defensoria pública em ações coletivas. A ideia do socialmente vulnerável, que confere aos defensores o acesso a essa técnica moderna de tutela, não apenas foi desprezada como simplesmente ignorada na ação”.

Ainda segundo o instituto, a ação não apresentou de forma satisfatória nem o interesse de agir (uma vez que a função da Defensoria é justamente proteger a população mais vulnerável e defender ações afirmativas) nem apontou a existência de indícios concretos quanto à existência de dano para o qual se busca reparação.

Por fim, afirmam que o próprio Ministério Público do Trabalho se manifestou sobre o processo seletivo do Magalu e não viu nenhuma irregularidade no programa de trainee nem lesão ou ameaça de lesão a direitos e interesses.

Assim, por entender que o defensor cometeu abuso de autoridade ao ajuizar ação sem justa causa e sem tentar adotar outros métodos alternativos de solução de conflitos, os advogados pediram a abertura de inquérito contra Jovino.

A petição é assinada por Luís Guilherme Martins Vieira, Ana Carolina Gonçalves Soares, Luísa Capanema Vieira, Pedro M. de Almeida Castro, Octavio Orzari, Vinícius André de Souza, Humberto Adami Santos e Felipe Zeraik, como presidente do Iara.

Clique aqui para ler a notícia de fato

Fonte: Consultor Jurídico
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