Entidade perdeu relevância, diz economista

Entidade perdeu relevância, diz economista

Publicado em 18 de janeiro de 2023

Conselheiro de Administração do Grupo Ultra, Pedro Wongtschowski, disse estar surpreso com a decisão.

À medida que a crise na Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) foi ganhando escala e cresceram as apostas de que o empresário Josué Gomes da Silva, dono da empresa têxtil Coteminas, poderia “cair”, a relevância da entidade voltou ao centro das discussões no meio industrial. Segundo fontes ouvidas pelo Valor, com a perda da força da indústria no Brasil, diante de um processo de desindustrialização, a destituição de um presidente eleito há menos de um ano arranha a imagem da entidade, justamente no momento em que a pauta industrial volta à cena no novo governo.

“A Fiesp infelizmente perdeu relevância nas últimas décadas ao deixar de trabalhar intensamente pelas pautas importantes para o setor”, afirma o economista-chefe da MB Associados, Sérgio Vale. “A indústria manteve-se protegida durante muitos anos, com apoio das federações, sem o devido esforço de estimular reformas que tragam produtividade. Sempre foi contra abrir a economia e isso prejudicou a própria indústria ao longo da história”, conclui Vale.

E foi esse o contexto do dia da assembleia dos delegados da Fiesp que destituiu o empresário com apenas 50 dos 112 sindicatos votando, na segunda-feira (16). O episódio ocorreu logo após Josué ter recebido o ministro do recém recriado Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), Geraldo Alckmin (PSB), em uma das primeiras agendas do também vice-presidente.

O ambiente interno é de descrença, com expectativa de prejuízo de reputação após o episódio, mesmo que eventual decisão judicial anule a destituição de Josué. Uma das alegações é que os grandes sindicatos, que estariam afastados da Fiesp ao longo de quase 20 anos da gestão do antecessor de Josué, Paulo Skaf, teriam sido mais próximos e ativos no dia a dia da entidade durante o ano passado. Enquanto isso, sindicatos menores, que somam maior número na federação, se articularam para remover Josué do cargo.

O presidente do Conselho Superior de Inovação e Competitividade da Fiesp e conselheiro de Administração do Grupo Ultra, Pedro Wongtschowski, diz estar surpreso com a decisão, que julga negativa para a entidade e para a indústria paulista. Wongtschowski não acredita que essa decisão prevaleça, pois vê “fragilidade jurídica” no ato. “Josué representa o melhor ponto de contato entre a indústria paulista e o governo federal. É um valioso trunfo da indústria”, disse o executivo ao Valor.

Para o presidente do Sindicato da Indústria de Material Plástico do Estado São Paulo (Sindiplast), José Ricardo Roriz Coelho, a Fiesp pode perder um bom momento de retomada. “Enquanto o governo sinaliza para reindustrializarmos o Brasil, um grupo de sindicatos tenta por caminhos tortos destituir o presidente da principal Federação de Indústrias do Brasil”, afirma.

Fonte: Valor Econômico
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