Equidade de gênero demanda iniciativas com maior impacto

Equidade de gênero demanda iniciativas com maior impacto

Publicado em 31 de março de 2023

Entre as ações que podem ajudar a aumentar a participação das mulheres 50+ nas empresas está olhar mais para inserção digital.

Quando se olha para todas as interseccionalidades presentes na pesquisa “Mulheres na Liderança” 2023, nota-se que o trabalho está apenas começando. Os resultados indicam que o impacto positivo das ações de equidade de gênero se reflete no aumento de apenas 38% na proporção de mulheres pretas e pardas nos quadros das empresas, 24% na de mulheres LGBTQI+ e de mulheres não-brancas, 23% na de mulheres PCDs e só 14% na proporção de mulheres acima de 50 anos.

“Existem muitos preconceitos e estereótipos associados à competência da mulher mais velha”, observa Fran Winandy, consultora multigeracional e autora do livro “Etarismo” (Editora Gulliver). Para ela, entre as ações que podem ajudar a aumentar a participação das mulheres 50+ nas empresas está um olhar mais voltado para a inserção digital. “Talvez elas não tenham a mesma velocidade ao usar novas tecnologias, mas é como se estivessem aprendendo uma segunda língua, enquanto as mais jovens já nascem bilíngues. Isso não quer dizer que elas não possam aprender”. Essa disputa tecnológica, segundo ela, afeta a saúde mental das mulheres mais experientes, que podem desenvolver um sentimento de frustração e incapacidade, como mostram alguns estudos.

As empresas podem ajudar, segundo Winandy, promovendo o ‘upskilling’ dessas mulheres, oferecendo ferramentas de desenvolvimento e atualização. Na pesquisa, só 4% das companhias têm programas de coaching e/ou ações de incentivo e só 2% têm um banco de talentos e pipeline de mulheres 50+. “Muitas vezes a empresa sai correndo para o mercado buscar alguém que vai precisar treinar, que não tem a expertise, não está aculturada e que vai demorar mais tempo para dar retorno, enquanto poderia olhar para as profissionais seniores que estão na casa”, diz.

Ela ressalta que a principal mudança é entender o que cada geração pode oferecer de melhor. “A profissional mais experiente talvez tenha mais habilidade para tratar um cliente irritado, por exemplo. Uma situação em que o mais importante é o entendimento humano”, exemplifica. “Quando falamos em diversidade, estamos falando sobre pertencimento e singularidade, em todos os sentidos, e para todos os grupos”. Cabe às organizações criar um ambiente seguro, inclusivo e com cada vez mais incentivos e boas práticas que possam assegurá-lo.

Fonte: Valor Econômico
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