03 dez Escala 5×2 não é o futuro. Já é presente
Escala 5×2 não é o futuro. Já é presente
Há anos o movimento sindical denuncia os impactos da jornada 6×1 na saúde física e mental dos trabalhadores. Falamos, negociamos, alertamos. Durante muito tempo, muitos duvidaram que a mudança fosse possível.
Hoje, no entanto, não é mais uma pauta “de futuro”. A escala 5×2 já está acontecendo. Já é realidade, e não apenas em países desenvolvidos, mas aqui, no Rio Grande do Sul.
No mundo inteiro, grandes players do varejo têm revisto suas escalas. Países europeus como França, Alemanha e Portugal, adotam modelos em que o descanso semanal é realmente um pilar de produtividade. E não precisamos ir tão longe para observar essa mudança.
Grandes redes varejistas aqui do Sul já começaram a migrar para o 5×2, reconhecendo: não existe produtividade sustentada quando o trabalhador está esgotado.
Esse é o cenário do mundo do trabalho e da vida pós-pandemia, um período que redefiniu prioridades. O trabalhador e, especialmente o comerciário, entendeu que saúde mental, convivência familiar e tempo de qualidade não são luxo: são necessidade.
A implementação de modelos de escala mais equilibrados tem acontecido porque o debate da redução da jornada para 40 horas, chegou ao topo das prioridades, e isso só foi possível graças à luta sindical e ao avanço do debate no Congresso. As empresas que já adotam o 5×2 se alinham a um movimento maior, que busca garantia legal e igualdade de condições para todos.
Gestão responsável e legislação caminham juntas. A empresa que insistir em manter modelos exaustivos, como a escala 6×1, está assumindo um risco cada vez mais claro: ficar sem mão de obra.
Hoje, o trabalhador escolhe onde quer estar. E ele está escolhendo ambientes saudáveis, horários possíveis, rotinas compatíveis com a vida. Quando vemos empresas adotando espontaneamente a escala 5×2, sabemos que a luta do movimento sindical fez diferença.
A escala 5×2 já começou a se espalhar. Agora, nossa missão é garantir que esse movimento avance, se consolide e se torne lei. Um comércio forte não se constrói com trabalhadores exaustos, mas com gente que tem vida fora do trabalho, que descansa, que convive com a família, e que volta para sua função com energia, saúde e motivação.
A mudança está em curso.
E o Sindec-POA vai seguir abrindo caminhos para que cada trabalhador tenha “Mais Tempo Para Viver. Mais Força Para Trabalhar”.
Presidente do Sindicato dos Empregados no Comércio de Porto Alegre (Sindec-POA)
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