Escala 6×1 vira peça central na disputa entre Lula e Flávio

Escala 6×1 vira peça central na disputa entre Lula e Flávio

Publicado em 9 de outubro de 2026

No segundo turno, a jornada de trabalho deixa o Congresso e entra definitivamente na campanha presidencial. A discussão sobre o fim da escala 6×1 volta ao Senado em um momento politicamente sensível: depois do primeiro turno das eleições presidenciais e com Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) disputando o eleitorado para a segunda etapa. A PEC 221/2019, que deverá ser discutida no plenário, reduz a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, estabelece dois dias de repouso remunerado e impede a redução salarial. Para ser aprovada precisa de 49 votos favoráveis, em dois turnos. A pauta, portanto, passou a ter dois endereços: o Senado e a campanha eleitoral. E a diferença de discurso entre os dois candidatos é bastante clara.

Direito social e bandeira eleitoral

Para Lula, o fim da 6×1 representa uma atualização das relações de trabalho e uma bandeira de forte apelo junto ao eleitor que vive a rotina de seis dias trabalhados para apenas um dia de descanso. O presidente e candidato à reeleição passou a cobrar publicamente que Flávio Bolsonaro declare seu voto e oriente a bancada do PL a apoiar a proposta.

Liberdade de escolha e preocupação com custos

Já Flávio Bolsonaro procura deslocar a discussão para outro eixo. Em vez de uma redução constitucional e uniforme da jornada, defende uma alternativa associada à chamada PEC 12, apresentada pelo senador Rogério Marinho. O modelo permite contratos por hora, com remuneração e direitos proporcionais ao tempo trabalhado.

Trabalhador ganha tempo; empresário calcula a conta

Para o trabalhador submetido à 6×1, a percepção tende a ser bastante concreta: dois dias de descanso significam mais tempo para família, lazer, estudo e recuperação física. Empresas que precisam funcionar sete dias por semana terão de reorganizar escalas e, em alguns casos, contratar mais trabalhadores. É justamente essa preocupação que aparece com força no setor produtivo gaúcho. A FIERGS afirma que 66,9% dos vínculos formais no Estado têm jornadas superiores a 40 horas semanais, aproximadamente 2,1 milhões de empregos. Na indústria de transformação, o percentual chega a 92,4%. A entidade estima que uma redução para 40 horas poderia provocar queda de 5,4% no PIB gaúcho e afetar potencialmente 47,2 mil postos formais — números que representam uma estimativa da Federação e são contestados no debate político e econômico.

O impacto para o Rio Grande do Sul

No Rio Grande do Sul a discussão ganha uma dimensão especialmente relevante. Uma economia com forte presença industrial, agrícola, comercial e de serviços terá impactos diferentes conforme o setor. A indústria, principalmente aquela que opera em turnos contínuos, poderá enfrentar maior necessidade de reorganização das equipes. A Fiergs já levou essa preocupação ao Senado e defende que produtividade, competitividade e preservação de empregos sejam considerados na decisão. O ponto central, portanto, é que a aprovação da PEC não produzirá apenas uma mudança na folha de ponto. Ela mexerá na estrutura de custos das empresas e na organização da vida do trabalhador.

Fonte: Jornal do Comércio
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