Estudo mostra que 42% aceitariam ganhar menos para trabalhar no modelo híbrido

Estudo mostra que 42% aceitariam ganhar menos para trabalhar no modelo híbrido

Publicado em 24 de abril de 2026

Pesquisa ouviu 1.565 pessoas; custo invisível do deslocamento pesa na escolha.

O dinheiro continua sendo um fator importante de decisão de carreira para muitos profissionais – mas não para todos -, segundo pesquisa da consultoria Tax Group com 1.565 pessoas antecipada ao Valor. No levantamento, os pesquisadores primeiro quiseram analisar a preferência pura de modelo de trabalho, sem contrapartidas financeiras. Nesse caso, quase 73% disseram ter o híbrido como modelo primário de escolha.

Na pergunta seguinte, os candidatos foram submetidos a um formulário de regime de trabalho com um cenário de trade-off (escolha com renúncia) claro e objetivo. As opções apresentadas foram:

Opção A: Modelo híbrido (trabalho parcialmente remoto).
Opção B: Modelo 100% presencial com remuneração 50% maior.

O resultado mostra que 42% dos profissionais entrevistados aceitam “ganhar a metade” em troca do modelo híbrido de trabalho, enquanto 58% optam pelo presencial que paga melhor.

“Mesmo diante de um aumento relevante de remuneração, uma parcela significativa dos profissionais opta pela flexibilidade”, diz Janice Gisler, diretora de gente e cultura do Tax Group. Ela comenta que o custo invisível do deslocamento (tempo, trânsito, alimentação, energia mental) pesa na balança.
Por outro lado, o modelo presencial atrai especificamente o perfil mais orientado a resultado e ascensão rápida, disposto a aceitar maior nível de exigência e ausência de flexibilidade em troca de um ganho financeiro, diz a responsável pela pesquisa.

Na visão dela, para atender esse cenário, as empresas estão ampliando o conceito de flexibilidade.
“Não se trata apenas de home office, mas de oferecer diferentes modelos de jornada, autonomia na gestão do tempo e maior personalização da experiência de trabalho”, afirma. “O papel do RH passa a ser entender profundamente o negócio e, ao mesmo tempo, equilibrar as necessidades das áreas com as expectativas dos profissionais, que hoje buscam mais controle sobre sua rotina e propósito no trabalho.”

Ela conclui dizendo que ponto central é que o regime de trabalho passou a funcionar como um filtro. “Empresas mais presenciais tendem a atrair perfis mais orientados a resultado e crescimento financeiro, enquanto modelos flexíveis atraem profissionais que valorizam autonomia e qualidade de vida.”

Na amostra da pesquisa, a média de idade é 25 anos, e as mulheres representam 58% do total. Mas ainda que 46% tenham até três anos de experiência profissional, há entre os entrevistados pessoas com 5 anos de bagagem de trabalho (20%) e ou mais de dez anos (12%). A maior parte está no Sul (63%) e Sudeste (24%), e 56% têm graduação, enquanto 12% possuem uma pós-graduação ou MBA.

Fonte: Valor Econômico
No Comments

Sorry, the comment form is closed at this time.