Estudos mostram empregabilidade melhor após curso

Estudos mostram empregabilidade melhor após curso

Publicado em 27 de abril de 2023

Acesso ao ensino superior também é facilitado para técnicos de nível médio, apontam pesquisas.

Diplomados em cursos técnicos têm maior chance de conseguir emprego formal, trabalhar em áreas que pagam melhor e, se quiserem, entrar na faculdade na comparação com quem concluiu o ensino médio regular ou não terminou o ensino superior. É que apontam dois estudos: “Indicadores de qualidade dos egressos do ensino técnico”, encomendado a pesquisadores do Insper pelo Itaú Educação e Trabalho, e “Inclusão produtiva de jovens com ensino médio e técnico: experiências de quem contrata”, também do Itaú Educação e Trabalho, em parceria com a Fundação Roberto Marinho e a Fundação Arymax.

“A educação profissional permite inserção de melhor qualidade no mercado de trabalho, não só pelos salários, mas pela maior chance de emprego em empresas maiores, com carteira assinada, e também em funções com menor rotinização e, portanto, menor risco de substituição pela automação”, diz o economista Alysson Portella, coautor do estudo do Insper.

Para avaliar a qualidade dos empregos de pessoas entre 18 e 29 anos, o estudo do Insper, divulgado em 2022, definiu cinco indicadores: participação na força de trabalho (inativos em contraposição a ocupados ou pessoas em busca de trabalho); ocupação (ocupados e desempregados); remuneração (mais ou menos de três salários mínimos), formalidade do trabalho e intensidade de tarefas de rotina realizadas. Em todos os indicadores, que variam de zero a um, o ensino técnico de nível médio superou o ensino médio regular.

O ensino técnico também é muito próximo do superior em relação à participação na força de trabalho e, em menor grau, à ocupação e formalidade. A desvantagem na comparação com o diploma universitário ocorre em duas frentes. A primeira, nos salários, com índices de 0,33 em comparação com 0,53 para quem tem grau superior. A segunda está no nível de tarefas rotineiras (0,35 ante a 0,60). Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios de 2019, mas, na avaliação de Portella, a tendência se mantém.

Em relação às áreas de atuação, jovens que cursaram ensino técnico conseguem mais vagas em serviços com maior grau de sofisticação, em áreas como tecnologia, saúde e comunicação, segundo a pesquisa do Itaú Educação e Trabalho, Fundação Roberto Marinho e Arymax. Já as principais oportunidades de trabalho para os jovens com ensino médio convencional estão na área de comércio ou de serviços como restaurantes, salões de beleza e serviços de entrega.

Os formados por escolas técnicas têm também maior chance de estarem matriculados no ensino superior (34,6%) do que os do ensino médio tradicional (27,4%), conforme aponta o levantamento do Insper.

Segundo o estudo, diferentes hipóteses, não necessariamente excludentes, podem explicar o fato. Uma delas é que alunos que buscam ensino profissionalizante já chegam à sala de aula mais preparados, frequentemente selecionados em concorridas provas de admissão. Outro argumento é que o ensino técnico é de melhor qualidade e prepara melhor os alunos para o vestibular ou Enem. É também possível que o conhecimento técnico e a inserção melhor e mais cedo no mercado de trabalho estimulem a busca de complementação de estudos, diz a pesquisa.

Fonte: Valor Econômico
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