Etarismo no trabalho

Etarismo no trabalho

Publicado em 3 de novembro de 2022
Por Jorge Avancini

Não é estranho que em um país que em 2047 terá mais idosos do que crianças, segundo projeção do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), pouco se fale sobre políticas públicas para a recolocação dos profissionais 50 no mercado de trabalho? E não é porque o etarismo não é um problema, muito pelo contrário. De acordo com um estudo da ONG Generation, 63% das pessoas com 45 anos ou mais estão desempregadas há mais de um ano, ante 36% dos indivíduos de 18 a 34 anos. Então, pergunto: qual a proposta para combater o etarismo no País?

Isso porque, apesar do preconceito com base em estereótipos acerca dos mais velhos, o etarismo, ir contra o que prevê o Estatuto da Pessoa Idosa (EPI), segundo o qual são vedadas a discriminação e a fixação de limite máximo de idade em ambiente profissional, a realidade ainda é totalmente oposta. De acordo com uma pesquisa de junho da consultoria Ernst & Young em 181 empresas brasileiras, 78% acreditam que as organizações, no geral, são etaristas.

Mas como esperar mudanças das empresas, se o próprio poder público não valoriza os mais velhos? Começando por Porto Alegre, a capital do nosso estado, que ao lado de Vitória (ES) é a capital com maior proporção de idosos do país – 21,4% da população, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) Contínua Trimestral. Mas o fato não se restringe apenas ao Brasil, muitos países vivem a inversão da pirâmide populacional devido ao aumento da expectativa de vida e à redução no número de filhos por família.

Tendo em vista que até 2060, a cada três brasileiros, um terá mais de 60 anos, segundo estima o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a adequação ao novo cenário do mercado de trabalho pede urgência.

Com isso, é essencial que as empresas entendam que contratar pessoas com mais experiência e compreendam o quanto essa atitude pode agregar ao desenvolvimento e resultado da equipe. Mas, para que isso aconteça, mas naturalmente, são necessários o amplo diálogo e o apoio do governo por meio de políticas de incentivo. Contudo, pergunto: teremos que esperar mais 4 anos para trazermos o assunto em pauta?

Fonte: Jornal do Comércio
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