08 fev Falta de previsibilidade de melhora nos negócios derruba disposição do empresário de empregar, diz FGV Ibre
Falta de previsibilidade de melhora nos negócios derruba disposição do empresário de empregar, diz FGV Ibre
Indicador Antecedente de Emprego caiu 0,8 ponto em janeiro, para 73,9 pontos, após subir 1,6 ponto em dezembro de 2022, e deve estacionar em patamar baixo, projetou economista da fundação.
Sinais de desaceleração da economia brasileira em 2023, em relação ao ano passado, elevaram cautela do empresariado no começo do ano, que não se sente disposto a elevar ritmo de abertura de vagas, segundo Rodolpho Tobler, economista do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), ao falar sobre a evolução do Indicador Antecedente de Emprego (IAEmp), divulgado nesta terça-feira (07) pela fundação.
O indicador caiu 0,8 ponto em janeiro, para 73,9 pontos, após subir 1,6 ponto em dezembro de 2022. Para o especialista, a ausência de previsibilidade de melhora nos negócios, nos próximos meses, elevou cautela dos empresários; e derrubou disposição de empregar mais, nesse começo de 2023.
Ao detalhar o contexto atual que contribuiu para a queda do indicador, o técnico lembrou que, ao término do ano passado, já havia alguns indícios de que a economia, em 2023, teria cadência mais fraca. No entanto, no começo de 2023 esses sinais tornaram-se mais claros, e agora começam a afetar intenção de contratação do empresariado, explicou ele.
“Vemos agora que [a economia de] serviços que estava sustentando retomada [da economia em 2022] agora começa a dar sinais de desaceleração”, lembrou o especialista. O setor de serviços representa quase 70% do total do PIB brasileiro, pelo lado da oferta, sendo o maior empregador da economia. Assim, na prática, recordou o técnico, qualquer sinal de atividade mais fraca nesse setor acaba por afetar a economia como um todo. “E tivemos sinais de que [as atividades de] comércio e indústria já estavam caindo um pouco antes”, lembrou ele.
Outro aspecto citado é o fato de que a demanda interna não está operando de forma expressiva. “Os juros também não estão caindo na velocidade esperada”, notou o especialista, comentando que patamar elevado de juros acaba inibindo compras.
Tobler ressaltou que a decisão de contratar é algo muito pensado pelo empresário e depende muito da cadência da atividade. Caso não haja demanda que justifique abertura de mais vagas, as empresas não contratam, notou ele.
“A decisão de contratar depende de melhora de negócios. E como está o desenrolar da economia esse ano, não está claro isso. Empresário precisa de ambiente de negócios claro para contratar. Porque contratar tem custo, é uma decisão de investimento”, notou ele.
Por isso, o especialista não acredita em recuperação do IAEmp em curto e médio prazos. Para o técnico, o mais provável é que o índice continue estacionado em patamar baixo, não necessariamente em queda, mas sem dar sinais de retomada expressiva.
“Não acho que vá piorar mais [queda mais forte no IAEmp] porque esse entendimento economia mais fraca já está precificado” disse, notando que os empresários já percebem que o PIB vai ficar mais fraco, esse ano.
Além de melhora na demanda, o empresário precisa de maior previsibilidade em relação à trajetória do PIB, para decidir abrir mais vagas, acrescentou ele.
Para contratar mais, segundo o economista, é preciso “cenário mais claro, não somente sem incertezas, mas com certezas” do rumo que a economia vai tomar.
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