23 abr Fim da escala 6×1 afeta os serviços terceirizados das prefeituras, diz Melo
Fim da escala 6×1 afeta os serviços terceirizados das prefeituras, diz Melo
O impacto do fim da jornada 6×1 no serviço público, principalmente nos serviços terceirizados das prefeituras, o uso do tema nas eleições presidenciais de 2026 e a articulação da Frente Nacional de Prefeitos para levar um documento ao Congresso Nacional e ao presidente Lula foram os temas discutidos no Tá na Mesa da Federasul pelo prefeito Sebastião Melo durante o painel “Jornada 6×1: Impactos no público e no privado” realizado nesta quarta-feira (22), no Palácio do Comércio. Melo mostrou preocupação com o impacto financeiro bilionário nas contas públicas, especialmente no que diz respeito aos serviços terceirizados (somente na prefeitura de Porto Alegre são 3,5 mil que atuam na terceirização do serviço de limpeza urbana) e à manutenção da infraestrutura urbana dos municípios – serviços de saúde e de manutenção asfáltica.
Melo destaca que mudanças na escala de trabalho deveriam ser feitas de forma gradual e por setores, priorizando a produtividade e a negociação em vez de imposições legais imediatas. O prefeito criticou o uso eleitoral da discussão para reduzir a jornada e acabar com a escala de seis dias trabalhados para um de descanso (6×1). “A redução da escala sem planejamento pode gerar informalidade e aumento de custos no transporte coletivo, educação e na saúde”, disse.
Presidente da Frente Nacional dos Prefeitos (FNP), Melo destacou que um estudo feito pela entidade aponta um rombo nas contas públicas das prefeituras brasileiras de aproximadamente R$ 30 bilhões por ano por conta do fim da escala 6×1. “O Brasil tem seis mil prefeituras e muitas terceirizações de serviços. Isso demonstra que a escala 6×1 não pode ser um tema eleitoral”, acrescenta. Melo disse que integrantes da Frente levarão as reivindicações da Frente Nacional dos Prefeitos aos deputados e senadores e também ao presidente Lula.
O prefeito afirmou que não é contra o debate acerca da escala 6×1. “Não sou contra. Sou contra o atropelo e o uso eleitoral da matéria”, comenta. Melo disse querer saber quais são as consequências da mudança. “Os países que adotaram essa mudança fizeram isto gradativamente com estudos setoriais”, acrescenta. Melo afirmou que o governo federal colocou o tema como pauta eleitoral e existe uma certa timidez da oposição que não quer enfrentar o assunto em ano de eleições. “Estou aqui para discutir as consequências do fim da escala 6×1 para a máquina pública. Será menos serviço na área da saúde e de limpeza urbana para quem mais precisa (no caso o cidadão)”, aponta.
Sobre o fim da escala de seis dias trabalhados para um de descanso, o presidente da Federasul, Rodrigo Sousa Costa, mostrou preocupação com a saúde financeira das famílias, ao argumentar que a redução da carga horária sem ajustes econômicos poderá forçar trabalhadores ao acúmulo de empregos informais. “Defendemos a desoneração da folha de pagamento como estratégia para elevar o salário líquido e restaurar o poder de compra dos trabalhadores”, ressalta.
Costa disse que 80% das famílias brasileiras estão endividadas e 50% estão inadimplentes. “Não podemos mandar um pai e uma mãe para casa dizendo que eles vão trabalhar menos e ganhando a mesma coisa. A gente sabe que a inflação e os juros vão destruir a renda dessa família”, comenta. O presidente da Federasul afirmou que as pessoas não vão ficar em casa vendo os filhos passarem necessidade. “Elas vão terminar indo para uma dupla jornada, buscando outro emprego ou indo para um trabalho informal, trabalhando 12 a 14 horas por dia”, acrescentou.
Segundo Sousa, o foco do governo federal deveria ser a valorização direta da renda, permitindo que os trabalhadores quitem suas dívidas com mais dignidade. “Infelizmente, os trabalhadores brasileiros estão sendo endividados por juros muito altos do governo Lula e por um crédito consignado na folha de pagamento com juros abusivos que vão de 2% a 15% ao mês”, acrescenta.
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