Fim da escala 6×1 pode impactar 106 mil trabalhadores rurais no RS

Fim da escala 6×1 pode impactar 106 mil trabalhadores rurais no RS

Publicado em 29 de maio de 2026

A aprovação da PEC 221/2019 na Câmara dos Deputados, na noite desta quarta-feira (27/5), abriu caminho para o fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho no Brasil. No Rio Grande do Sul, a medida pode impactar diretamente cerca de 106 mil trabalhadores assalariados do agronegócio.

Para a Federação dos Trabalhadores Assalariados Rurais do Rio Grande do Sul (Fetar-RS), a mudança representa também uma forma de compensar a baixa remuneração da categoria.

“Hoje, a média salarial da categoria gira entre R$ 1,6 mil e R$ 1,8 mil, o que é muito pouco para um setor que se orgulha de carregar a economia do Rio Grande. Então, uma folga semanal a mais surge como uma forma de equilibrar essa desigualdade”, afirma o presidente da entidade, João Cézar Larrosa.

O dirigente ressalta que ainda é necessário aguardar a tramitação da proposta no Senado e a regulamentação específica para o setor rural antes de avaliar como a nova jornada será aplicada na prática. Ainda assim, ele projeta impactos positivos para a saúde e a qualidade de vida dos trabalhadores.

Segundo Larossa, muitas atividades no campo exigem esforço físico intenso e exposição contínua às condições climáticas, o que contribui para o desgaste da categoria. Na avaliação dele, mais tempo de descanso pode reduzir os índices de adoecimento, afastamentos e melhorar a produtividade.

A Fetar-RS também avalia que a ampliação do período de folga pode gerar reflexos nas economias locais. Larrosa observa que muitos trabalhadores vivem longe das áreas urbanas e ter mais um dia livre poderá aumentar a circulação nos municípios do interior, com impacto sobre o comércio e o setor de serviços.

Procurada, a Federação da Agricultura do Rio Grane do Sul (Farsul) disse que o tema está sendo conduzido pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). A entidade nacional informou que ainda analisa o tema e não possui posição definida até o momento.

Fonte: Jornal do Comércio
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