Fim da jornada 6×1 divide o debate

Fim da jornada 6×1 divide o debate

Publicado em 5 de março de 2026

A proposta de redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1 ganham força no Congresso Nacional como uma das prioridades para 2026. A discussão, defendida por senadores da base governista e respaldada pela Presidência da República, promete mobilizar trabalhadores, empresários e especialistas em economia ao longo do próximo ano legislativo. Entre os gaúchos, a divisão é clara: PT, PCdoB, PSOL e PDT tendem a apoiar o fim da escala. PL, Novo, parte do MDB, PP e Republicanos demonstram resistência ou cautela.

Paim na defesa da mudança

O senador gaúcho Paulo Paim (PT, foto) tem sido uma das vozes mais ativas na defesa da mudança. Ele registrou reconhecimento à posição do presidente do Sebrae, Décio Lima, favorável ao fim da escala 6×1 e à redução da jornada. Paim citou declaração de Lima, “quanto mais abelha, mais mel”. Para o senador, “a frase sintetiza a lógica da proposta: trabalhador valorizado produz mais, consome mais e fortalece a economia”. Ele também menciona levantamento do Sebrae segundo o qual, a maioria dos empreendedores acredita que o fim da escala 6×1 poderá ser positiva, ou não produzir impactos relevantes nos negócios.

Argumentos da oposição

Deputados gaúchos da oposição defendem cautela e alertam para possíveis efeitos sobre custos e empregos. O deputado federal gaúcho Marcel van Hattem (Novo) tem se manifestado de forma crítica à redução da jornada por meio de emenda constitucional. Segundo ele, “uma diminuição compulsória da carga horária poderia elevar custos das empresas, especialmente das pequenas e médias, além de gerar risco de menor contratação ou aumento da informalidade”.

Rigidez na legislação trabalhista

Posição semelhante é defendida pelo deputado federal gaúcho Ubiratan Sanderson (PL). O parlamentar argumenta que o Brasil já possui elevada rigidez na legislação trabalhista e que uma redução da jornada sem ganho proporcional de produtividade poderia pressionar preços e reduzir a competitividade da economia.

Comércio e serviços

O deputado Giovani Cherini (PL) também questiona a mudança. Segundo ele, setores como comércio e serviços, que dependem de funcionamento contínuo, poderiam ser diretamente afetados.

Impactos econômicos

Economistas favoráveis à redução da jornada afirmam que semanas de trabalho menores podem elevar a produtividade por hora trabalhada, reduzir afastamentos por problemas de saúde e estimular o consumo interno. Já setores empresariais mais cautelosos alertam para aumento de custos operacionais, especialmente em atividades com margens apertadas.

Caminho no Congresso

A mudança está prevista na PEC 148/2015, pronta para votação no plenário do Senado. O texto amplia de um para dois dias o descanso semanal mínimo, e reduz a jornada máxima de 44 para 36 horas semanais, com implementação gradual. A proposta foi aprovada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) sob relatoria do senador Rogério Carvalho (PT-SE). Para entrar em vigor, ainda precisa passar por dois turnos de votação no Senado e dois na Câmara dos Deputados.

Impacto social e econômico

Com forte impacto social e econômico, o tema tende a ganhar dimensão política ao longo de 2026. Para governistas, trata-se de uma agenda social com forte apelo popular. Já a oposição busca enquadrar o debate como risco para a competitividade e para a geração de empregos.

Fonte: Jornal do Comércio
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