Funcionários aprovam mas temem ser esquecidos

Funcionários aprovam mas temem ser esquecidos

Publicado em 8 de junho de 2020

Pesquisa mostra que 56% acham “muito provável” querer trabalhar de casa no pós-pandemia.

Uma pesquisa realizada em maio pela consultoria Robert Half, com 800 profissionais brasileiros, indica que apenas 56% deles acham “muito provável” querer trabalhar de casa no pós-pandemia. Entre os benefícios apontados por essa amostra, 81% indicam a economia de dinheiro em deslocamentos e alimentação e 41% citam a maior produtividade. Entre os 10% que indicaram como “nada provável” o trabalho remoto pós-covid, metade deles disse se sentir mais distraído em casa. “Os resultados indicam que as empresas precisam olhar para essa questão de maneira individual e entender quais são as circunstâncias que a pessoa está inserida em casa, suas condições e rotina para avaliar quem pode ou não produzir melhor”, diz Caio Arnaes, diretor de recrutamento da Robert Half.

A preocupação pela produtividade e trabalho dos funcionários em casa têm se refletido na maior busca das companhias por programas de gestão remota, segundo Tawan Pimentel, fundador HOM (Home Office Management), consultoria especializada em práticas e softwares de gestão a distância. “Antes da pandemia, muito do que fazíamos estava em convencer as empresas dos benefícios do home office. O que fazíamos por anos, o vírus fez em dois meses. Agora, elas querem entender como as pessoas estão trabalhando para tomar novas decisões”, diz Pimentel.

Segundo o executivo, a principal demanda, concentrada em empresas de até 250 funcionários, é por ferramentas simples e ágeis para gerenciar o fluxo de atividades. “Os gestores querem saber se os funcionários produzem em casa, e se o fazem bem, enquanto os funcionários querem trabalhar sem ficar provando isso ou disponíveis o tempo todo”. A HOM tem investido em treinamentos de soft skills. “Muita gente está se sentindo culpada de não dar conta das coisas ou sofrendo com o peso da solidão”.

A pesquisa da Robert Half também aponta que há um receio para um terço daqueles que não acham “nada provável” trabalhar apenas em casa de perder oportunidades. “É o velho ditado do: ‘quem não é visto, não é lembrado’. Aquela conversa de corredor e, até de certa forma, a política que o escritório pode trazer, são sentidas nesse momento. Mas há como fazer networking e ser visto com as ferramentas digitais”, diz Arnaes.

A VTEX está entre as empresas que não pretende expandir o trabalho remoto de forma permanente. Embora tenha criado um plano de home office em 14 países e montado protocolos com níveis de segurança para cada região em que atua, a empresa acredita que o escritório é valioso para o negócio e que a interação humana presencial é relevante, diz Flávia Vergili, CPO da VTEX. “Dá para fazer brainstorming remoto? Claro que dá. Mas às vezes é saudável estar do lado de alguém que não seja apenas na reunião virtual. É uma liberdade de troca maior, mais ágil e mais espontânea”.

O que a pandemia vai mudar, diz a executiva, é a possibilidade de construir modelos de trabalho mais flexíveis e autônomos, para funcionários e gestores. “Dar autonomia é o que faz o home office estratégico”. A executiva, que liderou nos últimos anos a área de pessoas da WeWork na América Latina, acredita que o escritório pós pandemia se parecerá mais com um coworking. “Vamos para lá quando precisarmos e quando quisermos”.

Fonte: Valor Econômico
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