05 abr Geração de vagas aumenta na agricultura e perde força na pecuária
Geração de vagas aumenta na agricultura e perde força na pecuária
O aumento da formalização acaba garantindo rendas maiores para os trabalhadores do setor, mais estabilidade e mais acesso a direitos trabalhistas, o que começa a gerar um “efeito multiplicador”, defende o pesquisador. “O aumento de renda vai para a economia local”, diz Felippe Serigatti, do FGV Agro. Além disso, os salários também estão em alta no setor. “Hoje as maiores remunerações estão no Centro-Oeste”, afirma.
O crescimento das vagas acompanhado de formalização foi observado de forma transversal no agronegócio, tanto na agropecuária quanto nas agroindústrias. Nos dados do IBGE, as agroindústrias são contabilizadas como indústria para o cálculo do PIB, enquanto na análise da FGV Agro, as agroindústrias que fornecem insumos e que processam os produtos agropecuários entram como um elo da cadeia ligado à produção do campo.
Na agropecuária, o número de vagas formais abertas entre 2019 e 2022 cresceu 7,7%, com aumento de 10,1% na agricultura e de 3,2% na pecuária. “Nas lavouras, também vemos tendência de [formalização] que vem desde antes de 2019. É algo estrutural dentro do setor”, nota o pesquisador. A agricultura, sozinha, foi responsável pela geração de 109,9 mil vagas formais e informais nos últimos três anos, respondendo pela maior parte do crescimento do mercado de trabalho do agronegócio.
Já a pecuária, apesar de ter aumentado a contratação de pessoas com carteira assinada, passa por um processo de uma redução das vagas, com a extinção de postos de trabalho informais. A perda líquida de vagas no período foi de 72,7 mil vagas.
Essa diferença mostra diferentes movimentos dentro do agronegócio, ressalta Serigatti. “O agronegócio não é uma unidade homogênea. Na pecuária, com a peste suína africana, a China passou a comprar mais carne brasileira. Houve um boom muito forte das carnes, que não ficou restrita aos frigoríficos, mas também chegou ao universo da pecuária”. Em sua avaliação, esse movimento impulsionou a adoção de tecnologias que estão substituindo trabalhadores com baixa qualificação.
A agroindústria passou por um crescimento no número de vagas e aumento da taxa de formalização, embora já partisse de níveis de formalidade mais altos, próximo dos 80%. Em três anos, a agroindústria gerou 109,9 mil postos de trabalho líquidos, com aumento das vagas formais e redução das informais.
Segundo Serigatti, o comportamento dos empregos na agroindústria destoou das demais indústrias, nas quais a tendência vem sendo marcada pela contração de empregos. Também difere do setor de serviços, onde há aumento das vagas, mas puxada pela expansão da informalidade. “A agroindústria também sentiu a pandemia, mas ficou estagnada, enquanto a indústria acumulou perdas”, afirma.
Essas alterações recentes ainda não representam, porém, uma inversão no quadro de alta informalidade em relação ao restante da economia. No último trimestre de 2022, a informalidade da economia estava em 38,8%, contra 59,1% no agronegócio no ano passado.
Serigatti avalia que parte da informalidade predominante no agronegócio pode ser explicada pelo alto número de produtores rurais, de diversos tamanhos, que operam ainda apenas no CPF, sem CNPJ. Sem o registro como empresa, a atividade acaba sendo classificada como informal na PNAD-C.
“Tem CPF que tem renda de CNPJ por burocracia, mas mais por uma questão tributária, e acaba preferindo continuar no CPF”, afirma. Além disso, também há um mar de produtores familiares, também sem CNPJ, que empreendem pequenos negócios e mobilizam toda a família na atividade.
Sorry, the comment form is closed at this time.